GLOSSÁRIO INTERDISCIPLINAR

Recolha e catalogação: Prof.a Isabel Pinho

Formatação: Nuno Almeida 10º F

Escola Secundária de São Pedro do Sul
aguarde um momento ...

Índice

 

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

 

A

Absoluto
(Filosofia)

 

 

Do Lat. Absolutum, separado, ou seja aquilo que existe independente de outra coisa. Neste sentido, é absoluto aquilo que depende (para existir, para ser verdadeiro...) apenas de si e nada mais para além de si. A problemática do absoluto constitui um problema fundamental da Filosofia, já que é o motor de todo o trabalho intelectual e ainda, como referia Hegel, de toda a acção humana. O absoluto está presente em toda a acção efectiva, na felicidade de agir ou de descobrir, sendo a reflexão filosófica a responsável pela possibilidade de alcançar o conhecimento desses momentos privilegiados. Em síntese, a ideia de absoluto remete-nos para a ideia do ser incondicionado, independente, ou seja, que é relativo ao ser que nada supõe, que basta a si mesmo e que por tal motivo é necessário, infinito e perfeito. O contrário do absoluto é o relativo, ou ser condicionado, dependente e, que por tal razão é contingente, limitado e imperfeito.

Abstracção
(Filosofia)

 

 

Do latim abstractio, de abstrahere, «tirar» «retirar». Abstrair consiste em isolar, na operação mental que permite separar a parte do todo. As ideias abstractas são conceitos que seleccionam apenas os caracteres gerais de uma classe de objectos e que se utilizam nos raciocínios independentemente dos objectos que representam. Por exemplo, o conceito de «cavalo» é uma ideia abstracta, já que a realidade só está presente nos cavalos particulares, de tal e tal raça, de tal e tal estatura (forma). A palavra abstracção diz respeito, simultaneamente à operação através da qual o espírito elabora os conceitos e esclarece a realidade a que estes pertencem. Em síntese, a abstracção intelectual é a operação pela qual o espírito isola o objecto da sua existência concreta, e de tudo o que na realidade o torna acessível aos sentidos, tornando-o capaz de ser representado pela imaginação. Assim sendo, a abstracção origina a representação imaterial da materialidade das coisas.

Absurdo
(Filosofia)

 

 

O tema do absurdo significa etimologicamente tudo aquilo que não merece ser ouvido, já que é oposto à razão e ao bom senso. É algo sem sentido, irracional e ilógico. De um modo mais restrito designa-se de absurda toda a proposição que contraria o senso comum porque admite predicados incompatíveis. O tema do absurdo emerge no entanto na problemática filosófica, essencialmente com Schopenhauer, no século XIX. A vida torna-se absurda, na perspectiva deste filósofo, na medida em que não tem outra razão de ser para além de «querer viver» sem sentido. Esta constatação face ao carácter absurdo do mundo, conduz Schopenhauer ao pessimismo e à irracionalidade. Segundo Nietzsche, esta concepção evidencia uma atitude negativa perante a vida, herdada do cristianismo. Neste sentido o sentimento de absurdo não tem que ser necessariamente cúmplice com o sofrimento e com a renúncia, podendo pelo contrário conduzir-nos à acção e à revolta.

Acaso
(Filosofia)

 

 

Facto fortuito. Causa acidental de acontecimentos ou de fenómenos que não foram provocados deliberadamente. Combinação ou relação de acontecimentos que pertencem a séries causais independentes umas das outras.

Acceptable use policy
(Informática)

 

 

Regras de boa conduta para a utilização correcta da rede e dos seus serviços. Pode ser um documento distribuído ao novo utilizador de um determinado sistema.

Acção
(Filosofia)

 

 

Este vocábulo deriva do latim actum, «acção», «facto consumado», do verbo agere, «agir», «fazer». A acção significa a manifestação da materialização de uma força material ou de uma ideia. Diz respeito a tudo aquilo que se manifesta por actos, implicando a acção de um sujeito que através dele se exprime, reflecte e transforma-se. Em síntese, para que se verifique uma acção é necessário que se verifique: a) Uma modificação do meio. É este o denominador do comum de toda a forma de actividade e que engloba a actividade animal. b) Um projecto, uma intenção que deve ser consciente, tem que traduzir uma iniciativa involuntária. c) Uma reacção sobre o que age. Neste sentido o homem torna-se o produto das suas acções em vez de ser a causa imutável dos actos de circunstância. Toda a acção corresponde à operação através da qual o homem altera de um modo intencional o seu meio físico ou humano.

Acção

(Português)

 

Processo de desenvolvimento de acontecimentos singulares (determinados pela evolução das atitudes ou dos caracteres), podendo conduzir ou não a um desenlace. Porque a acção é um ele­mento dinâmico, só pode ser entendida de modo evolutivo e situada no tempo e no espaço.

 

ACÇÃO PRINCIPAL — Conjunto dos momentos fulcrais da história que garantem a sua progressão numa ou noutra direcção, de tal modo que a supressão de um deles põe em causa a coerência da própria história.

 

ACÇÃO SECUNDÁRIA — Evento que está relacionado com o aconteci­mento principal que se desenrola paralelamente á acção central e que mantém em relação a ela uma posição de subalternidade, cabendo ao narrador estabelecer essa relação hierárquica.

 

Acento
(Português)

 

1. Em fonética, diz-se do rasgo prosódico com que se dá ênfase a uma sílaba dentro de uma palavra. Sendo resultado de um esforço expiratório maior, diz-se acento de intensidade ou de energia; sendo resultado de uma variação da altura melódica, diz-se acento de entonação ou tom (ou acento musical). Se o acento ocorre na última sílaba (i.e., “final”), a palavra designa-se oxítona ou aguda; na penúltima sílaba (“limpo”), paroxítona ou grave; na antepenúltima sílaba (“lágrima”), proparoxítona ou esdrúxula. As sílabas não acentuadas chamam-se átonas.

2. Na grafia, o acento corresponde a uma elevação da voz para assinalar a sílaba tónica ou para funcionar como sinal diacrítico. Na ortografia portuguesa, o acento tónico representa-se por sinais gráficos como o acento agudo (“pé”), o acento grave (“à”) e o acento circunflexo (“influência”).

 

Acento tónico
(Português)

 

Grau de proeminência de uma vogal ou sílaba numa determinada palavra ou sequência, devido a um aumento de intensidade, de duração, de altura ou da conjugação destas três propriedades.

Acidófilo
(Biologia / Geologia)

 

Diz-se de uma estrutura com afinidade para corantes ácidos

Acirologia
(Português)

 

Impropriedade de expressão. Conceito da antiga retórica que se aplicava geralmente a erros de tradução que não respeitavam a realidade idomática de uma língua. Hoje, podemos estender a aplicação do termo às muitas situações de uso impróprio da expressão, por exemplo, em certos estrangeirismos ou traduções erróneas. Do ponto de vista do respeito pela índole da língua, podemos classificar como acirologia o uso de termos como “afazeres”, por ser uma adaptação do francês, quando existe em português a palavra “ocupações”; o mesmo é válido para “nuance” em vez “gradação”. Também são acirologias o uso de hiatos (“Aponta a arma”), colisões (“O Sr. Silva sentiu sumamente a sua falta.”), ecos (“Não sem razão pensavam ser condição necessária um bom relacionamento entre vilãos e senhores.”) e cacófatos (“poderia-se”, “pouca cautela”). No entanto, há escritores que tendem a aproveitar certas acirologias para criar efeitos estilísticos: o uso do pleonasmo em Camões: “Vi claramente visto o lume vivo” (Os Lusíadas, V, 18) e em Camilo Castelo Branco: “e entraram no coche, carruagem sua especial dele” (O Judeu, I); o uso de epítetos da natureza em Fernando Pessoa: “O mar salgado, quanto do teu sal” (Mensagem).

Acismo
(Português)

 

Figura de retórica que consiste numa recusa simulada de algo efectivamente desejado, podendo ser vista como uma forma particular de ironia. Na tragédia de Shakespeare Júlio César, a relutância fingida que César mostra em aceitar a sua própria coroação pode servir de exemplo.

Acrónimo
(Informática e Português)

 

 

Iniciais usadas na Internet (principalmente no e-mail e no chat). Apresentam-se algumas delas, em inglês: - AFAICT: As Far As I Can Tell - AFAIK: As Far As I Know - AFK: Away From Keyboard - AKA: Also Known As - AIUI: As I Understand It - B4: Before - BAK: Back At Keyboard - BBL: Be Back Later - BCNU: Be seeing you - BRB: Be Rigth Back - BSF: But Seriously Folks - BST: But Seriously Though - BTDT: Been There Done That - BTSOOM: Beats The Shit Out Of Me - BTW: By The Way - BWQ: Buzz Word Quotient - CLM: Career Limiting Move - CFV: Call For Votes - CUL: See you later - C U L8R: See you later - DWIM: Do What I Mean - DWISNWID: Do What I Say Not What I Do - DYJHIW: Don't You Just Hate It When.... - ETLA: Extended Three Letter Acronym - EOF: End Of File - F2F: Face-to-Face - FAQ: Frequently Asked Questions - FOAF: Friend Of A Friend

 

Sigla ou palavra que se obtém com as iniciais ou combinações de letras de algumas palavras. Exemplos: AWOL [absent without leave]; laser [light amplification by stimulated emission of radiation]; INRI [Jesus Nazarenus Rex Judaeorum]; motel [motor e hotel]; NASA [National Aeronautics and Space Administration]; radar [radio detection and ranging];  sonar [sound navigation ranging].

 

Acróstico
(Português)

 

Texto lírico geralmente pequeno em que se lê verticalmente um nome ou uma frase formada com a primeira letra de cada verso. A palavra ou a frase também pode ser constituída pela inicial de cada verso e com a inicial após a cesura do mesmo. Aparece no século XV e no seguinte é habitual, mantendo-se nos séculos XVII e XVIII. Contudo, o Racionalismo e o Neoclassicismo setecentistas quase o extinguem. Observe-se o exemplo:

 

Vida que assim a tormenta
Já melhor se perderia
O pensar que se acrescenta
Ledo morrer me faria;
As lágrimas que se dobraram
No coração se sentiram;
Todos meus olhos choraram
Em vendo que não vos viram.
(Diogo Brandão)

 

Podemos dizer que o acróstico parece englobar três funções: 1) uma procura de virtuosidade própria dos poetas palacianos; 2) um carácter lúdico que designa todo um jogo de espírito subtil; 3) um certo gosto pelo secreto.

 

ActiveX
(Informática)

 

Marca da Microsoft para diferentes tecnologias baseadas nos seus COM (Component Object Model), muitos dos quais têm como alvo a Internet.

Acto

(Português)

 

Divisão de uma peça teatral que decorre no mesmo espaço (cená­rio), constituindo a estrutura externa da própria peça.

Acto de Fala ou acto Linguístico

(Português)

 

Sendo a fala a realização concreta e individualizada da língua, o acto de fala é o uso que da língua se faz para comunicar algo – fazer uma pergunda, transmitir/pedir uma informação, emitir uma opinião, etc. tendo em conta o contexto, podemos distinguir acto de fala directo – aquilo que se diz – acto de fala indirecto – o objectivo que pretendemos de facto atingir ao realizar um acto de fala, ou seja, a nossa intenção comunicativa.

Qualquer frase com uma determinada força ilocutória, ao ser enunciada, orienta-se no sentido da realização de 3 actos:

1. um acto locutório,

2. um acto perlocutório,

3. um acto ilocutório.

Há ainda a assinalar os actos ilocutórios indirectos – frases com marcas de um acto ilocutório que estão ao serviço de um outro acto ilocutório. Ex.: Podes calar-te? (Apresenta marcas de uma pergunta, mas corresponde a um pedido).

 

Acto ilocutório

(Português)

 

O locutor, ao pronunciar determinada frase, num contexto comunicativo específico, com certas intenções, pretende executar, ilplícita ou explicitamente, actos como afirmar, avisar, ordenar, perguntar, pedir, prometer, objectar, criticar.

Os actos ilocutórios dividem-se em cinco tipos básicos, de acordo com os objectivos pretendidos:

  1. acto assertivo,
  2. acto directivo,
  3. acto compromissivo,
  4. acto expressivo,
  5. acto declarativo e

         acto declarativo assertivo.

 

Acto locutório

(Português)

 

Corresponde à enunciação de palavras e frases que fornecem determinada significação na produção linguística.

 

Acto perlocutório

(Português)

 

Refere-se aos resultados ou efeitos produzidos junto do interlocutor pela realização de determinado acto ilocutório. Podem considerar-se actos perlocutórios convencer, persuadir, assustar, ajudar ou atrapalhar.

 

Acumulação

(Português)

 

Figura de retórica (também chamada congérie) que consiste na associação de diversos elementos linguísticos num mesmo enunciado, geralmente produzida pela enumeração (ou adição, adjectio) ordenada ou não de sentimentos, imagens, sujeitos ou factos, que aparecem condensados. Os retóricos antigos usavam a acumulação nos debates oratórios, ornamentando-os e submilando-os. Trata-se de uma técnica também muito utilizada na poesia modernista, por exemplo, como neste excerto da "Ode Marítima", de Álvaro de Campos: "A vós todos num, a vós todos em vós todos como um, / A vós todos misturados, entrecuzados, / A vós todos sangrentos, violentos, odiados, temidos, sagrados, / Eu vos saúdo, eu vos saúdo, eu vos saúdo!" (Livro de Versos, ed. crítica de Teresa Rita Lopes, Círculo de Leitores, Lisboa, 1993, p.111). Podemos falar ainda de acumulação retórica quando se sucedem várias figuras. Na poesia barroca, acumulação metafórica foi abundantemente explorada, como no soneto de Jerónimo Baía "A uma trança de cabelos negros", que termina assim: "Tudo sois, mas eu tenho resoluto / Que sois só na aparência enganadora / Negra, noite, tristeza, sombra, luto. // Porém na essência, ó doce matadora, / Quem não dirá que sois, e não diz muito, / Dia, gala, alegria, luz, senhora?" (Fénix Renascida, vol.III, p.204).

 

Acumulação de excedentes
(História)

 

Fenómeno económico em que parte da produção não é necessária para o consumo das populações, entrando, por isso, no mercado de compra e venda.

Adenda

(Português)

 

[Do latim addenda, plural de addendu-, “aquilo que se deve acrescentar”.] Designa todos os textos que se aditaram à obra quer com a assinatura do autor, dedicatórias, advertências, prefácios, posfácios, notas, quer o aparato crítico, glossários, notas e comentários  textuais, introduções explicativas, e outros textos em apêndice. Sendo o livro um suporte mediático, «um espaço de a-presentação, um mediador entre a escrita e a leitura» (Mª Augusta Babo, A Escrita do Livro, p.124), a adenda constitui o caminho através do qual o leitor acede ao texto, pré-determinando, portanto, o modo de ler, os “protocolos de leitura”. G. Genette cunha de paratexto  o conjunto de elementos que constituem a fronteira do texto, a sua periferia. Os elementos constitutivos do paratexto podem traduzir informações, intenções, interpretações. O aparato crítico sendo o discurso envolvente do texto constitui o seu metadiscurso . São exemplos de adenda a Introdução e Notas a Eurico, o Presbítero (1ª ed. 1844) de Alexandre Herculano ou os Prefácios às segunda e terceira edições do Romanceiro (1828, l843) de Almeida Garrett  bem como a Advertência às Folhas Caídas (1853) do mesmo autor. Estes paratextos ilustram bem a nova relação autor-texto e autor-leitor que surge com o romantismo. Quer Herculano, quer Garrett deixam transparecer nestes textos o desejo de delimitar claramente a sua autoria, de demonstrar abertamente a sua autoridade relativamente à obra de modo a apresentarem a sua escrita como pura criação original. A obsessão de originalidade «não é mais do que a fobia do plágio , o medo da reprodução, da imitação, da colagem ao Outro» (Mª Augusta  Babo, A Escrita do Livro, p.112).

Administração
(História)

 

Conjunto de leis e de órgãos que garantem a organização e o funcionamento das instituições.

Afolheamento Trienal
(História)

 

 

Alternância das culturas numa propriedade rural, em que se divide a terra em três "folhas". Numa semeia-se a cultura de Inverno, noutra a cultura de Primavera, ficando a terceira de pousio. Nos anos seguintes procede-se à rotação das culturas.

Ágon

(Português)

 

 

(cf. Elementos da tragédia Grega)

 

Agnosticismo
(Filosofia)

 

 

Atitude filosófica que considera que o absoluto (ver absoluto) não é acessível ao espírito humano. Os agnósticos opõem-se aos «dogmáticos» (que afirmam a verdade absoluta dos seus raciocínios). Os agnósticos distinguem-se dos ateus, uma vez que não negam a existência de Deus, mas sim a possibilidade de conhecer a existência de Deus, sem contudo se preocuparem em pronunciar negativamente sobre o facto dessa existência. Quer a existência, quer a inexistência de Deus não são demonstráveis à luz da razão, razão pela qual o homem não tem de emitir juízos sobre esta questão.

Agricultura biológica
(Geografia)

 

 

Modo de produção agrícola que exclui a utilização de produtos químicos e se apoia na investigação científica relativamente à luta antiparasitária e à preservação dos solos. Permite a obtenção de alimentos de elevada qualidade nutritiva.

Agro-pastoril
(História)

 

Ligado simultaneamente à agricultura e à pastorícia (criação de gado).

Aia
(Português)

 

 

«A Aia» é um famoso conto da autoria de Eça de Queirós, incluído na obra « Contos» .Dela fazem também parte narrativas dispersas pela imprensa, compostas entre 1874 e 1898, organizada por Luís de Magalhães. São elas: "Singularidades de uma rapariga loura", "Um Poeta Lírico", "No Moinho", "Civilização", "O Tesouro", "Frei Genebro", "Adão e Eva no paraíso", "O Defunto", "José Matias", "A Perfeição" e "O Suave Milagre". Protagonista do conto "A Aia" é uma personagem sem nome próprio, apresentada como uma "bela e robusta escrava que amamentava o príncipe", nascido no mesmo dia em que nascera o seu próprio filho. Morto o rei numa batalha, o príncipe é ameaçado pelo tio. Uma noite dá-se o rapto e assassinato da criança, depois de violentamente arrancada do berço; só que a aia, num gesto de abnegação e sacrifício, trocara o príncipe pelo seu próprio filho, desse modo salvando o herdeiro do trono.

Alba

(Português)

 

Na lírica medieval provençal, tematiza a amargura e melancolia que decorrem da separação de dois amantes ao amanhecer. As canti­gas que têm merecido esta designação não registam todos estes ele­mentos tópicos. Levad', amigo que dormides as manhanas frias, de Nuno Fernandes Torneol, revela-se um exemplo da assimilação do género à tradição poética da cantiga de amigo.

Alcorão
(História)

 

Livro sagrado dos Muçulmanos.

Alegoria
(Filosofia)

 

Representação de uma ideia por meio de imagens. (ver a Alegoria da Caverna de Platão).

Alegoria

(Português)

 

Metáfora ou série de metáforas que concretizam um pensa­mento ou uma realidade abstracta. A alegoria aparece muitas vezes como uma personificação (de virtudes, defeitos, etc.), mas pode cor­responder a um processo de construção mais global (de um conto, de um poema, etc.). 0 sentido alegórico nasce da articulação dos ter­mos metafóricos patentes, que traduzem a realidade abstracta a representar.

Ex.: Auto da Alma, Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente; o conto "A viagem", de Sophia de Mello Breyner Andresen.

Aliança
(História)

 

Tratado de união.

Alienação
(Filosofia)

 

 

Tem origem no latim e significa «estrangeiro», de alus, outro. O primeiro filósofo a teorizar o conceito de alienação foi Hegel. Assim o espírito para se realizar deve exteriorizar-se, ou seja, objectivar-se numa obra, mas ao mesmo tempo deve tornar-se estranho a si próprio. O percurso da história é precisamente o processo através do qual o espírito perdendo-se primeiro, volta de facto a encontrar-se, cumprindo-se através das suas realizações: a arte, a religião e finalmente a filosofia. Também Marx irá reflectir sobre este conceito. Este pensador considera que a alienação operária corresponde ao facto dos operários não serem proprietários do seu produto de trabalho, ou seja, o operário é alienado porque é tratado como uma coisa, como um instrumento de trabalho.

Aliteração

(Português /Literatura)

 

Figura de estilo que consiste na repetição intencional de sons consonânticos dentro da mesma palavra ou em várias palavras seguidas. ex.:

“Olha a bolha d’água no galho! /Olha o orvalho!” (Cecília Meireles).

 “Menina e moça me levaram de casa de minha mãe para muito longe.”
(Bernardim Ribeiro)

"Na messe, que enlourece, estremece a quermesse"
(Eugénio de Castro)

  

Aljamia

(Português)

 

Termo que remete para a sobrevivência na Península Ibérica, e até ao século XVII, de uma cultura árabe e mourisca. Designa romances hispânicos como o castelhano, o moçárabe ou o português, línguas não árabes, por conseguinte, mas representadas em caracteres árabes. Inicialmente correspondeu a um conceito oposto ao de arabia ou aravia (língua dos árabes), mas evoluiu depois para o significado de língua escrita aplicada à literatura herdeira da arábica, de natureza essencialmente religiosa. A literatura aljamiada foi sobretudo cultivada em Espanha, se bem que se conheçam igualmente textos em aljamia portuguesa como uma colecção de epístolas do século XV, publicadas  por David Lopes, ou a fala da Moura nas Cortes de Júpiter de Gil Vicente.

 

Alma
(Filosofia)

 

 

Do latim anima, do grego ánemos, vento. Por alma entende-se o princípio vital do corpo, o princípio imaterial que se considera ser a origem da vida material, da sensibilidade e do psiquismo do homem. Às vezes serve para designar o conceito de mente e mesmo de espírito. A alma surge a partir da pergunta que o homem coloca a si próprio, sobre o núcleo íntimo da sua natureza, sendo um conceito que diz respeito simultaneamente a duas questões distintas: por um lado a natureza da vida caracterizada pelo automovimento e pela reprodução e por outro relaciona-se com as manifestações do intelecto. Se entendida na primeira perspectiva, a alma deve ser entendida como princípio vital do seres animados e que muitas vezes sobrevive ao próprio corpo. Encarado na segunda perspectiva a alma é princípio de racionalidade, princípio do pensamento, da sensibilidade, dos afectos e da vontade: Quando entendida nesta dimensão a alma evidencia a complexa ligação existente entre alma e corpo, entre mente e corpo.

Almorávidas
(História)

 

Dinastia berbere ou muçulmana do norte de África.

Alónimo

(Português)

 

Nome artístico adoptado por um autor ou obra publicada com o nome de outrem. O termo relaciona-se com os conceitos de pseudónimo, criptónimo e nom de plume (usado em contextos ingleses) ou nom de guerre (nome preferido em contextos franceses). São exemplos de alónimo o nome Publius que foi utilizado por uma plêiade de intelectuais norte-americanos - Alexander Hamilton, John Jay, James Madison -, que publicaram com esse nome uma série de artigos em The Federalist, que contribuiriam para a ratificação da Constituição dos Estados Unidos da América. Na literatura portuguesa, um dos alónimos mais famosos foi o de Fradique Mendes, que serviu de identidade literária fictícia a autores como Antero de Quental, Eça de Queirós e Batalha Reis. Todos os casos individuais de utilização de um falso nome (pseudónimo) para assinar obras literárias podem ser também considerados alónimos, pois trata-se da adopção de um "outro nome", como indica a etimologia do termo: José Régio (para José Maria dos Reis Pereira), Miguel Torga (para Adolfo Rocha), George Orwell (para Eric Blair), Voltaire (para François Marie Arouet), etc.

Alostrófico

(Português)

 

Poema cujas estrofes são todas desiguais entre si, quanto ao número de versos ou quanto ao número de sílabas métricas de cada verso (estrofes heterométricas). Em inglês, deve-se a Milton a introdução do termo alloeostropha, no prefácio de Samson Agonistes, aplicando-se quer às estrofes irregulares quer ao poema que as contém. A partir do modernismo, uma vez ultrapassada a rigidez dos padrões tradicionais, este tipo de estrofe é o que predomina largamente.

Alótropos
(Ciências Físico-Químicas)

 

Formas estáveis do mesmo elemento que diferem nas suas propriedades físicas e químicas.

Alta Idade Média
(História)

 

Período medieval compreendido entre o século V e o século X.

Alternância

(Português)

 

Técnica narrativa que consiste em contar duas ou mais histórias de maneira intercalada, de forma que ora se narra uma ora outra. (cf. Sequência)

Alvorada

(Português)

 

O mesmo que Alba.

Ambiente / Envolvente Contextual
(Ciências Económico-Sociais)

 

 

Conjunto de fenómenos diversos que condicionam a actuação de uma empresa, mas que lhe permitem simultaneamente operar. São variáveis de carácter social, demográfico, tecnológico, económico, político, legal, etc., que, na maior parte dos casos, são para a empresa um dado que tem de analisar na definição das suas estratégias. Análise SWOT – Avaliação da posição competitiva de uma empresa segundo 4 variáveis: pontos fortes e pontos fracos da organização; oportunidades e ameaças do meio envolvente.

Amizade
(Filosofia)

 

 

Do latim amicitia «amizade», do grego philia. A origem grega desta palavra remete para duas significações: uma com um sentido mais lato, que significa um sentimento de amizade de simpatia e de afeição pelo outro, e um significado mais restrito que remete para a concepção aristotélica deste conceito. Aquilo que Aristóteles designa por «amizade verdadeira» é selectiva, é rara e elaborada. Assim aquela possui três características:

1) É uma virtude, já que não pode ser considerada um poder ou uma paixão, devendo antes ser um estado de espírito permanente, adquirido pelo hábito e activamente cultivado.

2) A amizade quando materializada dá conta de escolha livre e de uma decisão partilhada de um modo recíproco.

3) A outro deve ser amado desinteressadamente e não dos benefícios que eu posso retirar dessa mesma amizade.

 

Amor
(Filosofia)

 

 

Do latim «amor». «afeição», «vivo desejo». Corresponde ao movimento do coração que nos leva em direcção a um ser, um objecto ou a um valor universal. É neste sentido que Platão, nos diálogos O Banquete, distingue diferentes hierarquias no amor: este pode referir-se a um indivíduo concreto, a uma ideia geral (ex: o amor dos valores nacionais ou profissionais, etc.), ou à sua função especulativa do homem. Este é o amor autêntico já que representa aquele que nos permite aceder através da contemplação, ao verdadeiro e ao belo.

Anacoluto

(Português)

 

Interrupção do membro inicial de um período para formar outro, de acordo com um novo pensamento que com o primeiro se cruza, exigindo uma construção sintáctica diferente.

Ex.: "Eu, que cair não pude neste engano / (Que é grande dos amantes a cegueira), /Encheram-me, com grandes abondanças, / O peito de desejos e esperanças" (Luis de Camões).

Interrupção violenta ou progressão inconsistente da sequência lógica de uma frase, que continua ou finaliza em termos substancialmente diferentes do seu início. Por esta razão, também se chama ao anacoluto frase quebrada. Por exemplo: “O dia, esse bojo de linfa, uma vertigem de hélio - arcaicamente / como pretexto para luzirem / cortejos: animais, bárbaros crânios de ouro; / um branco suspiro, extenua as gargantas dos áruns; / pálpebras no granito despedem-se do mundo.” (Herberto Helder, Última Ciência, 1988, in Poesia Toda, 1990).

O anacoluto é comum na linguagem coloquial e também frequente na poesia e na oratória. Nas situações discursivas da oralidade que não respeitam as regras de concordância verbal ou a sintaxe, o anacoluto é considerado uma corrupção gramatical. São muitas as construções orais que constituem anacolutos, por exemplo: “O avião, não te disse, está atrasado.”, em vez de: “Não te disse que o avião está atrasado?” Este tipo de anacoluto não funciona, naturalmente, como recurso estilístico, por isso tende a ser considerado um mero problema de solecismo. Portanto, em termos restritos, pode-se considerar anacoluto apenas um problema de concordância: um sujeito inicial que fica sem predicado, para concentrar a atenção num segundo já acompanhado de predicado que não serve o primeiro. A tradição gramatical define ainda o anacoluto apenas como a utilização do pronome relativo sem antecedente, situação muito frequente nos provérbios: “Quem escuta de si ouve.” e na poesia: “Que uma coisa pensa o cavalo; / outra quem está a montá-lo.” (Alexandre O’Neill, “A história da moral”, Poesias Completas, IN-CM, Lisboa, 1990).

Anacronia

(Português)

 

Recurso narrativo que consiste na alteração da ordem cro­nológica linear.

Anadiplose

(Português)

 

Repetição de uma palavra(s) em posição final numa frase ou num verso no princípio da frase ou verso seguinte. Por exemplo, o seguinte poema de Manuel Bandeira, que abre e fecha com esta figura: "O córrego é o mesmo, / Mesma, aquela árvore, / A casa, o jardim. / Meus passos a esmo / (Os passos e o espírito) / Vão pelo passado, / Ai tão devastado, / Recolhendo triste / Tudo quanto existe / Ainda ali de mim / - Mim daqueles tempos!" ("Peregrinação", Obras Poéticas, Minerva, Lisboa, 1956). Trata-se de uma figura de retórica mais frequente em textos poéticos. O efeito de cascata pretendido é o de reforçar o valor semântico do termo repetido, que funciona como eco, fazendo recordar o processo medieval do leixa-pren. Foi bastante explorada pelos poetas barrocos, como no soneto de Gregório de Matos: “Contempla na borboleta exemplos do seu amor”: Tu a vida deixas, eu a morte imploro, / Nas constâncias iguais, iguais nas famas.” (Poetas do Período Barroco, apres. de Maria Lucília Gonçalves Pires, Comunicação, Lisboa, 1985, p.263). Como figura, a anadiplose apenas diz respeito à construção de um texto e não ao seu sistema de ideias, que dificilmente se altera com o seu uso.

Anáfora

(Português /Literatura)

 

  1. Figura de estilo que consiste na repetição, no início de frases ou de versos sucessivos, de uma palavra ou grupo de palavras. Ex.: “Porque os outros se mascaram mas tu não/ Porque os outros usam a virtude…”, Sophia de Mello Breyner Andresen.
  2. Diz-se que um segmento do discurso é anafórico quando se torna necessário, para lhe darmos uma interpretação, reportarmo-nos a um outro segmento do mesmo discurso.
  3. Do grego anafora (ana-ferw): levantar, levar para cima, puxar para si, e, por extensão, oferecer, relatar, narrar, imputar algo a alguém), o termo é utilizado em várias acepções. No ritual litúrgico, designa a parte mais importante da celebração eucarística, o cânone, no decurso do qual o celebrante rememora a Última Ceia de Jesus com os seus discípulos. Na retórica, designa a figura que consiste na repetição de um mesmo termo no início de várias frases, criando assim um efeito de reforço e de coerência. Na linguística, alguns autores utilizam também este termo para designar as unidades verbais, a que outros autores dão o nome de representantes, que remetem para outras anteriormente presentes no mesmo texto, contribuindo deste modo para a construção da unidade textual. Os termos representantes ou anafóricos podem muitas vezes ser substituídos por pronomes relativos. Assim, no enunciado «Encontrei um amigo. Ele disse-me que te conhecia», o termo ele é um termo anafórico ou um representante, visto se referir a «um amigo» anteriormente referido.

 

Anagogia

(Português)

 

 

Forma de hermenêutica dos textos sagrados que permite apreender o seu sentido místico. Tradicionalmente, a hermenêutica bíblica possui quatro níveis de interpretação, por ordem crescente: o literal, o alegórico, o moral e o anagógico. A obra dos autores clássicos como Virgílio e Dante, por exemplo, foram objecto de interpretações anagógicas. No caso de Virgílio, os exegetas medievais souberam ler nos seus versos um sentido místico que traduzia a esperança do regresso de Cristo à Terra. Jerusalém foi interpretada em todos os sentidos: literalmente, como cidade santa; alegoricamente como a imagem da Igreja; moralmente como o símbolo dos crentes; e anagogicamente como a Cidade de Deus.

 

Anagnórise

(Português)

 

 

Elemento dramático de surpresa, de regra na tragédia clássica. Passagem do ignorar ao conhecer, de uma situação em que se descobre uma horrível discrepância entre a aproximação afectiva naturalmente ditada por laços consanguíneos de parentesco e a hos­tilidade inelutável que a eles se sobrepõe. (cf. Elementos da tragédia Grega)

Analepse

(Português)

 

 

Processo narrativo (também designado por flashback) que consiste no relato de acontecimentos anteriores ao presente da acção e mesmo em alguns casos anteriores ao seu início.

Análise
(Filosofia)

 

 

Do grego analysis, «desligar». Como procedimento metodológico consiste na decomposição de um todo (fenómeno, problema, texto), nas partes que o compõem com o objectivo de o entender. O conceito de análise aparece nos Elementos de Geometria de Euclides (280 a.C.) e o comentário do Papa de Alexandria (300- 350 d.C.). Nesta altura entendia-se o conceito de análise, por oposição à síntese. Assim o mesmo corresponde ao aspecto dedutivo do processo demonstrativo (que vai dos princípios para as consequências), enquanto que a síntese representaria o momento dedutivo que vai das consequências para os princípios.) Descartes aplicou à Filosofia a ideia de um método essencialmente analítico, proveniente do método matemático, como o objectivo de fornecer à Filosofia o mesmo rigor que encontrou nas Matemáticas.

Anã branca
(Biologia / Geologia)

 

 

É o que resta de um núcleo de uma estrela depois de cessar a fusão nuclear. São muito pequenas, por vezes com um diâmetro inferior ao da Terra e não possuem uma fonte térmica interna mas radiam gradualmente a sua energia residual. Quando esta acabar torna-se num corpo escuro e frio – anã negra.

Anankê

(Português)

 

O destino ou necessidade, elemento fundamental da tragédia; é a força inexorável que determina o rumo da acção e à qual huma­nos, heróis e deuses têm de se submeter. (cf. Elementos da tragédia Grega)

Anástrofe

(Português)

 

 

Inversão da ordem natural dos elementos da frase. Não obs­curece o sentido do pensamento, como pode suceder com o hipérbato. Ex.: "No rigor da verdade, estás pintada, /No rigor da aparência, estás com vida" (Gregório de Matos).

Animação
(Geografia)

 

A exibição de uma sequência de imagens estáticas para dar a ilusão de movimento contínuo.

Animismo

(Português)

 

Processo em que se atribui vida a seres inanimados. Ex.: "Desce em folhedos tenros a colina" (Camilo Pessanha).

Anisocronia

(Português)

 

 

Conjunto de processos narrativos (elipse, sumário) medi­ante os quais se manifesta a desproporção temporal entre a narração e os eventos narrados.

Alteração da duração da história narrada. O processo oposto chama-se isocronia. A anisocronia é um processo de modificação do ritmo ou da velocidade da narrativa (“efeitos de ritmo”, no léxico de Genette), que regula a relação entre o tempo da história, medido em segundos, minutos, horas, etc., e a extensão do texto, medida em linhas e páginas. Ocorre quando o narrador prolonga mais o tempo da história com descrições mais ou menos supletivas, ou quando, pelo contrário, esse tempo é reduzido, resumindo em poucas linhas factos que tiveram lugar num espaço de tempo maior, como neste exemplo de António Lobo Antunes que, em As Naus,   resume os factos decorridos durante doze anos a poucas linhas: “Diogo Cão habitou Loanda doze anos, sete meses e vinte e nove dias, sempre numa casinha do Bairro de Alvalade que as glicínias tropicais e as lagartas de África erodiam (. . .)” (Publ. Dom Quixote, Lisboa, 1988, p.152).

         Os processos que desencadeiam as anisocronias são a pausa, a elipse e o sumário, por um lado, como recursos da economia da narrativa, e as digressões, por outro lado, como forma de suspender a progressão do tempo da história, dilatando o tempo do discurso. Estão, neste caso, os exercícios de retrospecção e divagação especulativas sobre assuntos marginais à intriga principal. Pode ficar como exemplo clássico o capítulo IX de Viagens da Minha Terra, de Almeida Garrett, repleto de digressões que prolongam nitidamente o tempo do discurso, desde as considerações sobre o teatro de Manuel de Figueiredo até às reflexões sobre topónimos.

O processo de jogar com anisocronias no interior de uma narrativa, variando a relação tempo da história/tempo do discurso, tem sido explorado até aos seus limites dentro do que se convencionou chamar romance pós-moderno, porém, tal verifica-se prematuramente não só nas Viagens na Minha Terra, como, nos primórdios da história do romance, com o Tristram Shandy, de Laurence Sterne. Neste romance, o jogo anisocrónico permite ao narrador controlar criativamente o desenrolar da história, por exemplo, introduzindo uma personagem a bater a uma porta num dado capítulo e só a deixar entrar, dando sequência à cena, vários capítulos à frente.

Anos-luz
(Biologia / Geologia)

 

 

É uma unidade de medida astronómica que corresponde à distância percorrida pela luz num ano, que é de 9 biliões e meio de quilómetros. Sabendo que a luz propaga-se à velocidade de 300 000 km/s e a luz do Sol demora cerca de 8 minutos a chegar à Terra.

Ansi (American National Standards Institute)
(Informática)

 

Organismo normativo americano.

Antanáclase

(Português)

 

[Do gr. antanáklasis, “repercussão”.] Figura de linguagem que consiste na repetição de uma palavra nos seus diferentes sentidos, por exemplo, no famoso aforismo de Pascal: “O coração tem razões, que a própria razão desconhece.” No conhecido poema “Autopsicografia”, de Fernando Pessoa, que começa com esta quadra: “O poeta é um fingidor. / Finge tão completamente / Que chega a fingir que é dor / A dor que deveras sente.”, a palavra “dor” é repetida com sentidos diferentes, porque o próprio Poeta joga com a sinceridade da dor fingida em oposição à dor verdadeiramente sentida.

A antanáclase está próxima da paronomásia e do trocadilho e pode ser sinónima da diáfora. Aristóteles estuda a antanáclase na Retórica, chamando a atenção para o efeito de surpresa que se pode obter com o bom uso desta figura. Isso soube fazer com mestria D. Francisco Manuel de Melo com as variantes e homonímicas e paronímicas possíveis para a palavra “pelo”: “Meus amigos, digo que me pelo por ouvir quatro equívocos. Se eles caem a pêlo, têm a sua galantaria; não já como muitos, que vêm pelos cabelos; apelo eu, que os dissesse.” (Feira de Anexins, I, 1).

Em Fictional Truth (1990), Michael Riffaterre estuda esta figura de retórica para investigar o processo de criação de uma narrativa a partir da silepse. Cf. diáfora;  paronomásia; silepse; trocadilho.

Antítese
(Filosofia)

 

Oposição entre duas proposições. O contrário da tese.

Antítese
(Português)

 

Recurso de estilo que consiste numa oposição entre determinadas realidades, servindo para realçar determinados contrastes; Exemplo: «O esforço é grande e o homem é pequeno.» (Fernando Pessoa, Mensagem)

Antropocentrismo
(Filosofia)

 

Do grego, antropos. «homem» e do latim centrum «centro». Concepção que considera o homem como o centro de todas as representações e de toda a verdade.

Antropologia Filosófica
(Filosofia)

 

Estudo filosófico do homem. Em metafísica, a antropologia opõe-se à ontologia, que é o estudo filosófico do ser. Uma Filosofia antropológica é uma Filosofia humanista. «Conhece-te a ti mesmo e deixa a Natureza aos deuses» (Sócrates), é o exemplo deste tipo de Filosofia.

Antropomorfismo
(Filosofia)

 

Grego, antrophos, «homem» e morphé, «forma». Tendência que considerar toda a realidade como semelhante à realidade humana.

Antropomorfismo
(História)

 

Representação plástico-literária dos deuses em forma humana.

Antropónimos
(Português)

 

Nomes, sobrenomes ou apelidos de pessoas (ex.: Luís de Camões, D. Pedro,...)

Amblisia
(Português)

 

Artíficio da linguagem que serve para atenuar num interlocutor o eventual impacte de uma má notícia. Esta figura está próxima do eufemismo. Na literatura clássica, é um recurso frequente na fala de mensageiros de más novas, os quais, para evitar alguma catástrofe brusca, tentavam preparar psicologicamente os destinatários. Na Castro, de António Ferreira, o seguinte diálogo exemplifica o efeito da amblisia: “Messageiro: Oh triste nova, triste messageiro / Tens ante ti, Senhor. Ifante: Que novas trazes? Messageiro:  Novas cruéis; cruel sou contra ti, / Pois m’atrevi trazê-las. Mas primeiro / Sossega teu esprito e nele finge / A mor desaventura que te agora / Podia acontecer; que grã remédio / É ter o esprito armado à má fortuna. Ifante: Tens-me suspenso. Conta, que acrescentas / O Mal com a tardança.” (V, ii). Este último termo “tardança”, dentro da economia do drama, pode funcionar como sinónimo de amblisia.

Aparte

(Português)

 

Palavras ditas por uma personagem (destinadas a serem ouvidas só pelos espectadores), dando a entender ao público que as outras personagens com quem contracena não as ouvem no momento. Atra­vés dos apartes o público torna-se cúmplice dos actores.

Apartheid
(História)

 

Política de segregação social que se projecta por vezes nos direitos políticos.

Apólogo

(Português)

 

Género alegórico que consiste numa narrativa que ilustra uma lição de sabedoria, utilizando personagens de índole diversa, reais ou fantásticas, animadas ou inanimadas. Servem de exemplos clássicos os apólogos de Fedro e Esopo. Confunde-se facilmente com a fábula, embora esta se concentre mais em relações nais que envolvem coisas e animais, e com a parábola, que se ocupa mais de histórias entre homens e figuras alegóricas com sentido religioso. Hegel considera-a uma forma de parábola: “Pode-se considerar o apólogo como uma parábola que não utiliza apenas, e a título de analogia, um caso particular a fim de tornar perceptível uma significação geral de tal modo que ela fica realmente contida no caso particular que, no entanto, só é narrado a título de exemplo especial.” (Estética, II, 2c, Guimarães Editores, Lisboa, 1993, p.223).

         No século XVII, em Espanha, fizeram escola os apólogos de Los Sueños, de Quevedo, e Coloquio de los perros, de Cervantes. Ficaram célebres entre nós, os Apólogos Dialogais (1712), de D. Francisco Manuel de Melo. Como todos os apólogos, têm por fim interferir de alguma forma com o comportamento social e moral dos homens, modificando-o pelo exemplo, se possível. No século XIX, registam-se os Apólogos (1820), de João Vicente Pimentel Maldonado, poeta menor do arcadismo, inspirado nas fábulas de La Fontaine, e “Um Apólogo”, de Machado de Assis (incluído na colectânea Várias Histórias, 1896). Os Contos Tradicionais Portugueses, compilados por Teófilo Braga, são, na maior parte, verdadeiros apólogos.

A posteriori
(Filosofia)

 

Significa que é adquirido pela experiência. (Ver a priori)

Apóstrofe

(Português)

 

Etimologicamente, mudança de rumo. Interrompe-se o dis­curso para invocar alguém, através do vocativo, normalmente em forma exclamativa.

Ex.: "Ó retrato da Morte! Ó noite amiga!" (Bocage).

Apotegma

(Português)

 

Frase breve de carácter aforístico, geralmente de alcance universal. O apotegma aparece quase sempre com linguagem figurativa e na forma de uma máxima ou sentença. Distingue-se do aforismo e do provérbio por ser mais prático e focalizado; a autoria do apotegma é também, regra geral, reservada a figuras notáveis da cultura, ao passo que o aforismo e o provérbio podem ter origem popular. Na Antiguidade, registaram-se os apotegmas e anedotas dos Padres do Deserto egípcio na compilação Apophthegmata Patrum e, no século I a.C., Plutarco reúne em Apophthegmata Laconica as máximas de reis, políticos e militares notáveis de todos os tempos e lugares. Francis Bacon publicou uma colecção com o título Apoththegms New and Old (1624). São bem conhecidos os apotegmas de Ben Johnson, por exemplo, “Patriotism is the last refuge of a scoundrel.” O Padre Manuel Bernardes deixou na sua A Nova Floresta ou Silva de Vários Apótegmas, e Ditos Sentenciosos Espirituais, e Morais, com Reflexões em que o Útil da Doutrina se Acompanha com o Vário da Erudição Assim Divina, Como Humana (5 vols., 1706-1728) uma importante colecção de apotegmas. O Marquês de Maricá ficou célebre pelas suas Máximas, Pensamentos e Reflexões (1837-43), de onde se regista este apotegma: “A vaidade de muita ciência é prova de pouco saber.”

         No pensamento antigo, não é raro recorrer-se ao chamado apotegma numeral, isto é, aquele no qual se afirma que três, quatro ou mais coisas são isto ou aquilo. Por exemplo, na Bíblia, no Livro dos Provérbios: “Por três coisas se alvoroça a terra, e a quarta não a pode suportar: Pelo servo, quando reina; e pelo tolo, quando anda farto de pão: Pela mulher aborrecida, quando casa; e pela serva, quando fica herdeira da sua senhora.” (30, 21-23). À entrada do templo de Apolo, em Delfos, estavam as famosas máximas da doutrina délfica, como “Conhece-te a ti mesmo.” ou “Nada em excesso.”.

Applet
(Informática)

 

 

Pequena aplicação, como um programa utilitário ou processador de texto. Os programas Java são normalmente denominados de Applets Java, porque são de dimensão relativamente reduzida.

A priori
(Filosofia)

 

 

O que é anterior a toda a intervenção da experiência. Neste sentido opõe-se a toda a experiência. O a priori distingue-se de a posteriori tal como o conhecimento racional se distingue do conhecimento empírico.

Arcaísmo

(Português)

 

Palavra ou expressão que entrou em desuso numa língua. O arcaísmo pode ter um efeito estilístico quando ocorre para recuperar a virtualidade de um termo antigo. Tal acontece na literatura, quando um escritor insiste me não deixar morrer um termo antigo que lhe é caro por algum motivo. O romance histórico convencional tem necessidade de recuperar a linguagem da época através de arcaísmos que asseguram a cor local. Se, num texto literário, o uso de um arcaísmo não é intencional, considera-se um erro de expressão (por exemplo, hoje é difícil aceitar o uso de “quiçá”, que muitas vezes ocorre em pretensões de estilização). É necessário o leitor possuir conhecimentos de história da língua para poder avaliar o uso estilístico do arcaísmo.

         Podemos distinguir arcaísmos lexicais (uso de um termo obsoleto, por exemplo: “à guisa de”, locução hoje substituída por “à maneira de”), semânticos (uso de um sentido obsoleto de um termo, como “físico” por “médico”) e gramaticais (uso de construções  obsoletas, que se encontram, a título de exemplo, em abundância nas Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, que trouxe para a sua prosa um estilo muito oralizante: “Lembrou-me o rouxinol de Bernardim Ribeiro” (cap.X);  “E dizem que saudades que matam” (cap.XXXVIII); “Chegue-me a Santarém, descanse, e ponha-se-me a ler a crónica” (cap.XXVI) ).

         Existe ainda uma componente humorística que pode ser acrescentada ao uso estilístico do arcaísmo, traço que já Fernão de Oliveira, na sua sistematização gramatical publicada em 1536, registava. Veja-se, por exemplo, o uso de terríbil neste poema de Carlos Drummond de Andrade: “Senhor! Senhor! / quem vos salvará / de vossa própria, de vossa terríbil / estremendona / inkomunikhassão?” (Impurezas do Branco).

Arc de Triomphe
(Francês)

 

 

L'arc de Triomphe se situe sur la Place de l'Etoile, qui fut à l'origine, une colline de 5 mètres de haut, aplatie en 1774. La terre récupérée de cette opération fut employée pour renforcer l'avenue des Champs-Élysées. En 1787, deux énormes monuments se trouvaient sur cette place, qui servait d'entrée douanière pour Paris. La construction de l'Arc de Triomphe, commandée par Napoléon après son retour d'Austerlitz, commença en 1806.
En 1831, l'édifice était achevé, et en 1836, les noms de batailles et de 600 généraux de l'empire Napoléon étaient gravés sur le monument. Le roi de l'époque, Louis Philippe est venu inaugurer l'Arc.
L'Arc de Triomphe est la plus grande et la plus haute arche du monde. En volume, elle est 20 fois plus grande que le Septième Sévère à Rome, et en poids (50 000 tonnes), elle est 7 fois plus lourde que la Tour Eiffel. Elle n'a jamais était complété. Une variété de projets étaient proposée pour couronner son sommet, mais aucun n'a jamais abouti.
Le 28 Janvier 1921, un soldat anonyme était enterré sous l'Arc, et une flamme éternelle allumée en son honneur.

 

 

Argumentação
(Filosofia)

 

 

Série de argumentos tendentes para a mesma conclusão, maneira de apresentar e de dispor os argumentos. No ensino, este termo é sinónimo de raciocínio, de demonstração, de dialéctica, e refere-se a toda a tentativa ou acção que leva o aluno a pensar de forma lógica, coerente, a fim de atingir uma prova, uma afirmação, uma conclusão.

Argumento
(Filosofia)

 

É, em geral, um raciocínio mediante o qual se tenta provar ou refutar uma proposição, ou tese, convencendo alguém da verdade ou falsidade da mesma.

Array
(Informática)

 

 

Uma sequência ordenada de dados. Um vector é um array de uma dimensão, uma matriz é um array de duas dimensões. Muitas linguagens de programação têm a capacidade de armazenar e manipular arrays de uma ou mais dimensões, como o Pascal. Estes são utilizados extensivamente em simulações científicas e em processamentos matemáticos.

Article
(Informática)

 

Um texto existente na Usenet/News.

Assíndeto

(Português)

 

Omissão dos elementos de ligação (em geral conjunções copulativas) entre palavras ou frases, produzindo um efeito "marte­lante" que confere ao discurso rapidez, força e energia.

Ex.: "Eu hoje estou cruel, frenético, exigente" (Cesário Verde).

 

Assonância 

(Português /Literatura)

 

Figura de estilo que consiste na repetição intencional dos mesmos sons vocálicos. Ex.: “Tem um nome estranho a Isa. /Não é Isabel nem Isaura, /também não é Isadora /e não chega a ser Elisa /nem um resto de Luísa. /A Isa é Isa, é isso.” João Pedro Mésseder.

Atafinda

(Português)

 

Processo métrico da poesia galego-portuguesa que consiste no encadeamento de versos e de estrofes entre si até ao fim da can­tiga.

Auto

(Português)

 

Texto dramático, de tema religioso ou profano, que se autonomi­zou provavelmente a partir dos mistérios e moralidades medievais e que conheceu grande yoga nas literaturas ibéricas.

Autobiografia

(Português)

 

Género narrativo em prosa em que o autor real, que é simultaneamente a personagem principal, relata retrospectivamente a sua vida.

Autocaracterização

(Português)

 

Explicitação dos atributos da personagem pela própria personagem (auto-retrato).

Autor

(Português)

 

Pessoa real responsável pela concepção e realização da obra lite­rária.

Aversão

(Português)

 

Ou hostilidade a:

Casamento – misogamia; contactos – misofobia; estrangeiros – xenofobia; franceses – francofobia; homens – misandria; ingleses – anglofobia; mulheres – misoginia; novidade – misoneísmo; pessoas – misantropia; raciocínio – misologia.

 

AAAS
(Informática)

 

American Association for the Advancement of Science. Associação Americana para o desenvolvimento da ciência.

AAC
(Informática)

 

Automatic Amplitude Control. Controlo automático de amplitude.

AAT
(Informática)

 

Arbitrated Access Timer. Temporizador de acesso arbitrado.

ABL
(Informática)

 

Automatic Brightness Limiter. Limitador automático de luminosidade.

ABM
(Informática)

 

Asynchronous Balanced Mode. Modo assíncrono equilibrado.

AC
(Informática)

 

Alternate Current. Corrente alterna.

AC
(Informática)

 

Access Control. Controlo de acesso.

ACC
(Informática)

 

Automatic Color Control. Controlo automático de cor.

ACIA
(Informática)

 

Asynchronous Communications Interface Adapter. Adaptador de interface para comunicações assíncronas.

ACID
(Informática)

 

Atomicity, Consistency, Isolation and Durability. Atomicidade, consistência, isolamento e durabilidade.

ACK
(Informática)

 

Acknowledge. Reconhecimento.

ACSSB
(Informática)

 

Amplitude Compandored Single SideBand. Banda lateral única com amplitude comprimida.

ACT
(Informática)

 

Advisory Committee on Telecommunications. Comissão consultiva de telecomunicações.

ADAPSO
(Informática)

 

Association of Data Processing Service Organisation. Associação das organizações de processamento de dados.

ADCCP
(Informática)

 

Advanced Data Communication Control Procedure. Procedimento avançado de controlo para comunicações de dados.

ADC
(Informática)

 

Analog to Digital Converter. Conversor analógico/digital.

ADP
(Informática)

 

Automatic Data Processing. Processamento automático de dados.

ADPCM
(Informática)

 

Adaptive Pulse Code Modulation. Modulação por impulsos codificados.

ADR
(Informática)

 

Address. Endereço.

AD
(Informática)

 

Letras de código de integrados fabricados pela Intersil; Analog Devices.

AEC
(Informática)

 

Atomic Energy Commission. Comissão da energia atómica.

AES
(Informática)

 

American Audio Engineering Society. Sociedade americana da engenharia do áudio.

AFC
(Informática)

 

Automatic frequency Control. Controlo (comando) automático de frequência.

AFMR
(Informática)

 

AntiFerroMagnetic Resonance. Ressonância anti ferromagnética.

AFPC
(Informática)

 

Automatic Frequency and Phase Control. Controlo automático de frequência e fase.

AFSK
(Informática)

 

Audio Frequency-Shift Keying. Codificação por deslocamento de frequência de áudio.

AFT
(Informática)

 

Automatic Fine Tuning. Sintonia fina automática.

AF
(Informática)

 

Audio Frequency. Audio frequência.

AGC
(Informática)

 

Automatic Gain Control. Controlo automático de ganho.

AGND
(Informática)

 

Analogic Ground. Massa analogical.

AH
(Informática)

 

Letras de código de integrados fabricados pela National Semiconductor.

AIP
(Informática)

 

American Institute of Physics. Instituto americano de física

AI
(Informática)

 

Application Interface. Interface para aplicações.

ALC
(Informática)

 

Automatic Level Control. Controlo automático de amplitude (ou potência).

ALDC
(Informática)

 

Adaptive Lossles Data Compression. Sistema de compressão de dados em discos rígidos.

ALE
(Informática)

 

 

Address Latch Enable. Activação do trinco de endereços.

ALGOL
(Informática)

 

Algorithmic Language. Linguagem orientada para problemas matemáticos e científicos.

ALU
(Informática)

 

Arithmetic and Logic Unit. Unidade aritmética e lógica.

ALVC
(Informática)

 

Advanced Low Voltage CMOS. CMOS de baixa tensão.

AM
(Informática)

 

Letras de código de integrados fabricados pela AMD.

AMSAT
(Informática)

 

Radio Amateur Satellite Corporation. Corporação de satélites de radioamadores.

AM
(Informática)

 

Amplitude Modulation. Modulação de amplitude.

ANSI
(Informática)

 

 

(American National Standards Institute) – Uma organização americana vocacionada para o estabelecimento de normas. Uma dessas normas é também vulgarmente chamada de ANSI e define a transmissão de caracteres de controlo para um terminal, permitindo tratamento de cores e outros atributos, movimento do cursor, som, etc.

API
(Informática)

 

 

(Application Program Interface) – A interface que permite que um programa ou aplicação aceda a sistemas operativos e outros serviços. Uma API é definida ao nível do código fonte e proporciona um nível de abstracção entre a aplicação e o Kernel (ou outros utilitários privilegiados) no sentido de assegurar a portabilidade dos códigos. Uma Api pode ainda proporcionar uma interface entre uma linguagem de alto nível e utilitários ou serviços de baixo nível que tenham sido escritos sem considerações pelas convenções suportadas pelas linguagens compiladas.

ARAP
(Informática)

 

 

(AppleTalk Remote Access Protocol) – Protocolo utilizado em computadores Mac, que permite uma ligação estável (aos serviços que utilizem AppleTalk) em linhas de baixa velocidade, tais como linhas telefónicas. Possibilita também a utilização de logins e passwords.

ARPA
(Informática)

 

Advanced Research Projects Agency.

ARPAnet
(Informática)

 

 

Rede de computadores criada em 1969 pelo Departamento de Defesa norte-americano (por intermédio da ARPA), interligando na altura instituições militares. Em meados dos anos 70 várias grandes universidades americanas aderiram à rede, que deu lugar à actual Internet.

ASCII (American Standard Code For Information Interchange)
(Informática)

 

É a norma mundial que faz corresponder linguagem máquina aos caracteres latinos, números, pontuação etc. Há 128 caracteres ASCII cada um podendo ser representado por um número binário de 7 dígitos: do 0000000 até ao 1111111.

ATM
(Informática)

 

 

Asynchronous Transfer Mode. Modo de transferência assíncrona. Trata-se de uma tecnologia de telecomunicações que permite o transporte simultâneo de som, imagem e dados, abrindo caminho à implementação de aplicações multimédia.

AUP
(Informática)

 

Acceptable use policy.

 

 

 

 

Índice

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

 

B

Bailia ou Bailada
(Português)

 

Designação ambígua que se aplica quer às cantigas de esquema paralelístico anafórico com leixa-pren e refrão e se desti­navam ao coro e à dança quer às cantigas de amigo que, indepen­dentemente da forma estrófica, tratam de temas relacionados com a dança.

Baixo-relevo
(História)

 

Escultura feita num plano que lhe serve de fundo, em que as figuras sobressaem pouco.

Balanço
(Ciências Económico-Sociais)

 

 

É um quadro (mapa, gráfico etc.) onde é demonstrada a situação económico/financeira da empresa na data a que o balanço diz respeito. O balanço avalia o valor da empresa mas não demonstra o resultado, apenas apresenta o seu valor total. O Balanço é composto de duas partes, que se encontram sempre em equilíbrio: o Activo e o Capital Próprio e Passivo.

Balanço Hídrico
(Geografia)

 

Diferença entre a disponibilidade em água e as necessidades de consumo.

Bandeiras e bandeirantes
(Português e História)

 

 

Bandeirantes são chamados os sertanistas que a partir do século XVI penetraram nos sertões brasileiros em busca de riquezas minerais, sobretudo a prata, tão abundante na América espanhola, pedras preciosas e semipreciosas, ou índios para escravização. Por vezes, o reconhecimento do território para a Coroa portuguesa e o controlo de levantamentos dos Índios eram também objectivos dos bandeirantes.

 

As expedições eram chamadas de entradas ou bandeiras, e este último termo dado origem ao nome bandeirante. Normalmente, os historiadores dividem as entradas como movimentos promovidos pelo Governo, e bandeiras as expedições particulares. Segundo um Bando Real de 1570, Lei das Ordenanças, nas zonas rurais, em vez da companhia de Ordenanças, se organizava uma Bandeira: tinha formação similar à de uma companhia sendo seus componentes divididos em esquadras, reunindo-se os que estavam até a uma légua da sede do Capitão-Mor. Esta a origem das Bandeiras, que com um capitão e seus cabos exploraram o descobrimento e devassamento do território brasileiro. Povoado de relevo foi o de São Paulo, e o surto das bandeiras teve origem na obra dos jesuítas com suas expedições de resgate ou tropas de resgate para libertar prisioneiros de uma tribo que, atados a cordas ou encerrados em currais, destinavam-se à morte.

Os mais famosos bandeirantes nasceram no que é hoje o Estado de São Paulo. Foram os responsáveis pela conquista do interior e extensão dos limites de fronteira do Brasil para além do limite do Tratado de Tordesilhas, acordo firmado entre Portugal e Espanha com a intenção de dividir a posse das terras do Novo Mundo.

No entanto, os resultados destas expedições foram desastrosos para os povos autóctones, ora reduzidos à servidão, deslocados e descaracterizados na sua identidade cultural, ora dizimados, não tanto pela violência dos colonos como pelo contágio de doenças para as quais os seus organismos estavam desprovidos de defesas.

A acção dos bandeirantes foi da maior importância na exploração do interior brasileiro, bem como na manutenção da economia da colónia, fosse pelas suas consequências para o comércio, fosse porque a captura de indígenas fornecia mão-de-obra para a agricultura, principalmente cana-de-açúcar. Para além disso, não pode deles ser dissociada a descoberta de metais preciosos em vários pontos, metais esses que marcaram o papel do Brasil no conjunto do Império Colonial Português ao longo do século XVIII.

Barbarismos
(Português)

 

São assim designados todos os erros de expressão e de grafia que entraram erradamente na língua portuguesa.

Bárbaros
(História)

 

Eram todos aqueles que não tinham a civilização grega e romana.

Barcarola
(Português)

 

 

Poema medieval integrável no género das cantigas de amigo, e que se pensa exclusivo do lirismo galego-português. A cena evocada passa-se diante do rio ou do mar, sendo habitualmente as ondas invocadas pela menina, que lamenta a ausência do seu amigo.

Barragem
(Geografia)

 

Barreira erguida numa corrente de água a fim de a represar.

Barrocal
(Geografia)

 

Área do Algarve localizada entre o litoral e a Serra algarvia

Barroco
(Português)

 

 

O estilo barroco desenvolveu-se na Europa e em parte da América do Sul durante o século XVII, prolongando-se em algumas regiões até meados da centúria seguinte. A estética barroca estendeu-se a quase todos os campos artísticos (arquitectura, artes plásticas, literatura, música, teatro), o Barroco abandonou o equilíbrio e rigidez da estética clássica e propôs uma linguagem mais formalista e emotiva na qual imperava o gosto pelo movimento, pela tensão e pelo artifício. O barroco visa a explosão do espanto, busca o dom de surpreender e aturdir o espírito à força de ornamentar e de rebuscar. É importante distinguir cultismo de conceptismo, características formais do barroco, outrora empregadas como sinónimos. Cultismo é um artifício da forma, ao passo que conceptismo o é do conteúdo.

Cultismo e Conceptismo são duas expressões de um conceito de poesia, que reduz o texto a uma actividade puramente lúdica, própria, como afirmou D. Francisco Manuel de Melo, para mancebos, damas e ociosos.

(cf. Cultismo, Conceptismo e Colectâneas da poesia barroca).

 

Base
(Ciências Físico-Químicas)

 

 

Espécie química, que em solução aquosa, é aceitadora de iões H+ (teoria protónica ou teoria de Brönsted e Lowry).

Basílica Romana
(História)

 

 

Entre os Romanos era um edifício público onde funcionavam os tribunais e se reuniam os mercadores e banqueiros para tratar de negócios; igreja, em geral da época do cristianismo primitivo, construída segundo o plano da basílica romana.

Basófilo
(Biologia / Geologia)

 

Diz-se de uma estrutura com afinidade para corantes básicos

Bastille
(Francês)

 

 

Château fort à Paris qui a servi de prison d'État au temps de Richelieu. Beaucoup de prisonniers politiques y ont été emprisonnés. Symbole de l'absolutisme royal, il a été pris par un groupe de parisiens armés, les premiers jours de la Révolution. La prise de la Bastille le 14 juillet 1789 est devenue le symbole de la chute de l'Ancien Régime.

Bátega
(Português)

 

 

Provavelmente este vocábulo teve a sua origem na expressão “bater a água”; aguaceiro, chuvada. A expressão "bátega de água" é, por isso, um pleonasmo.

Batologia
(Português)

 

 

Termo do grego do grego battologia (“gaguez”, defeito do rei Batos, rei da Cária), para designar a repetição desnecessária de um pensamento com as mesmas palavras. Chama-se também batologia à epanelepse que é inútil ou que resulta de um defeito de expressão e não de um objectivo estilístico bem determinado.

BBS
(Geografia)

 

 

Sistema informático com acesso pela rede telefónica e que disponibiliza um conjunto de serviços específicos de utilidade para os seus subscritores, nomeadamente troca de mensagens. As mensagens são normalmente divididas por temas, à semelhança dos grupos de discussão na Usenet.

Belicoso
(Português)

 

Adjectivo; inclinado à guerra; guerreiro; beligerante; aguerrido; que incita à guerra; belicista; (Do lat. bellicósu-, «id.»)

Belo
(Filosofia)

 

 

Bellus, «encantador» «delicado». O belo diz respeito a tudo que provoca o sentimento estético, aquilo que corresponde à perfeição dentro de cada género e como tal obedece a certas formas de equilíbrio ou de harmonia. Este conceito desperta um sentimento particular, que corresponde ao sentimento estético. Se na Antiguidade Clássica foi possível formular regras e ideias acerca do funcionamento das Belas- Artes, na modernidade abordou este tema como sendo um problema de subjectividade. Kant definiu o belo como sendo aquilo que «agrada universalmente sem conceito», salientando a especificidade do juízo estético.

Bem
(Filosofia)

 

 

do latim bene, «bem». Este conceito significa o que está de acordo com a sua natureza, aquilo que está de acordo com o que se espera. O bem remete-nos para a definição prévia de uma norma. O bem diz respeito a tudo aquilo que corresponde uma expectativa, ao que é perfeito. Este conceito alcançou uma significação própria nos diversos sistemas filosóficos. Assim, o bem pode ser um ideal do qual o mundo imperfeito se deve procurar aproximar (Platão), pode ser o desenvolvimento máximo para cada ser da sua natureza própria (Aristóteles), pode significar a felicidade ou o prazer (Epicuro), a conformidade com a ordem universal imposta pela natureza, (Estoicismo), a obediência à lei divina; a intenção moral pura (Kant).

Benchmarking
(Ciências Económico-Sociais)

 

Processo contínuo de avaliação e comparação com o nível de desempenho das melhores empresas do mercado com o fim de melhorar o nosso próprio desempenho.

Beneplácito Régio
(História)

 

Disposição pela qual quaisquer documentos, mesmo os oriundos da Santa sé, tinham de ser vistos pelo rei, para poderem Ter aplicação no reino, após o seu consentimento.

Bentos
(Biologia / Geologia)

 

Organismos aquáticos que vivem nos fundos.

Berberes
(História)

 

 

Povos do Norte de África.

Best Practices
(Ciências Económico-Sociais)

 

Correspondem aos mais elevados padrões de desempenho em áreas específicas da empresa como inovação de produtos, serviço ao cliente, vendas, etc.

Bélicos
(Português)

 

Adjectivo que diz respeito à guerra; próprio da guerra; belicoso; (Do lat. bellìcu-, «id.»)

Big Bang
(Ciências Físico-Químicas)

 

 

Singularidade do começo do Universo. Segundo a teoria do Big Bang, há biliões de anos, o Universo era um ¿gás¿ composto de matéria e energia de densidade e temperatura extremamente elevadas que explodiram.

Bill of Rights
(Inglês)

 

 

A document, part of the US Constitution, safeguarding fundamental individual rights of the US citizens, such as freedom of speech, freedom of religion, the right to trial by Jury etc. The precedents for these stipulations came from three separate English documents: The Magna Carta, the Petition of Right, and the Declaration of Rights.

Bioética
(Filosofia)

 

 

Do grego bios, «vida» e ethos, «costumes», «hábito». A bioética diz respeito ao conjunto de reflexões, de interrogações teóricas e debates surgidos essencialmente após os anos 60 pelos progressos das técnicas biomédicas. Esta recente área do saber estuda os problemas éticos que são decorrentes das intervenções da medicina.

Biomassa
(Biologia / Geologia)

 

Peso de um indivíduo ou de uma população. Pode ser expressa pelo peso vivo ou pelo peso em matéria seca.

Biomassa
(Biologia / Geologia)

 

Massa de matéria orgânica, vegetal e/ou animal, existente numa determinada unidade de superfície ou volume.

Biosfera
(Geografia)

 

Zona descontínua e envolvente da Terra em que se desenvolvem os seres vivos e que abrange parte da crusta, da atmosfera e da hidrosfera.

Bit
(Ciências Físico-Químicas)

 

 

Cada um dos dígitos 0 ou 1 que são usados na notação binária. Os bits são a unidade básica de informação num sistema computacional.

Bizâncio
(História)

 

 

Capital do Império Romano do Oriente.

Blastocisto
(Biologia / Geologia)

 

 

Designação atribuída à blástula dos mamíferos correspondente ao estado final da segmentação.

Blitz
(Inglês)

 

The bombing of cities in Britain especially London by the German airforce in 1940 and 1941. People had to seek refuge in places of safety, especially the London Underground, during the bombing.

Bofé
(Português)

 

Advérbio; à boa-fé; em verdade; francamente; (De boa+fé)

Bolchevique
(História)

 

 

Significa maioria que, depois da Revolução de Outubro (1917) na Rússia, dominou o partido social-democrata (socialista) que dirigia o país no sentido mais revolucionário (da ditadura do proletariado) propugnado por Lenine. Daí chamar-se bolchevistas aos socialistas-comunistas-leninistas, seguidamente a todos os comunistas, e bolchevismo passar a ser sinónimo de comunismo.

Bootlegging
(Inglês)

 

 

Term applied to the practice of illegally making, transporting or selling of alcoholic drinks. In the US "bootleg" refers to the intoxicating liquor, and the seller of it is called a "bootlegger". The term bootlegging came into use during the American Civil War; it is often connected with the time of PROHIBITION (1920-1933), when the manufacture and sale of alcohol was forbidden.

Bordão linguístico
(Português)

 

Palavra, expressão ou frase que um indivíduo repete recorrentemente ao falar ou escrever.

Bosão
(Ciências Físico-Químicas)

 

 

Partícula cujo spin é caracterizado por um número inteiro.

Boxing Day
(Inglês)

 

 

Popular word applied to the first day after Christmas Day that is not a Sunday. It is a public holiday in England, Wales, parts of Canada and in some countries of the Commonwealth of Nations. Traditionally, on that day the people of high social class would give presents to servants, tradespeople, and others of humble class. These presents came to be known as Christmas boxes.

Brochura

(Português)

 

Pequeno trabalho de divulgação sob a forma panfleto ou opúsculo e em folhas soltas. Usam-se brochuras para anunciar, promover e/ou sintetizar acontecimentos literários, desde a realização de congressos e colóquios a lançamentos editoriais. Até ao princípio do século XX, ainda era costume publicar-se poesia ou pequenos textos de intervenção em brochuras. Hoje, a brochura serve quase exclusivamente para fins comerciais e publicitários.

Browse
(Informática)

 

Navegar na Internet. Na Web, o utilizador navega (viaja) através das páginas de informação de acordo com o que pretende em cada momento. Isto é conhecido por "navegar" ou "surfar" na Net.

Browser
(Informática)

 

Um programa concebido para consultar as páginas web, ou qualquer ficheiro escrito em linguagem HTML. O Microsoft Internet Explorer e o Netscape Navigator são os dois browsers mais populares.

Bug
(Geografia)

 

 

Um erro de programação ou fabricação que causa um defeito na funcionalidade de um programa (software) ou equipamento (hardware). Às vezes, o defeito não é grave e o utilizador pode conviver com ele, mas outras vezes, pode impedir por completo a utilização do computador.

Burguesia
(História)

 

Grupo social que se dedicava às actividades comerciais e artesanais, ou ainda certas categorias de pessoas como médicos, legistas ou outras profissões liberais.

Buris
(História)

 

Instrumentos pontiagudos de pedra, utilizados para furar ou escavar.

Burlesco

(Português)

 

Forma cómica exagerada e de paródia, empregando expressões triviais para travestir personagens e situações heróicas; a epopeia burlesca aparece em França no século XVIII. No seculo XX, o burlesco encontra a sua prefeita expressão em certos filmes cómicos (ex:Charlie Chaplin, Buster Keaton) e nos espectáculos de “music-hall”.

 

Burocracia
(História)

 

Conjunto dos empregados da administração do Estado, enquanto constituindo um grupo (uma espécie de casta) que se identifica com o Estado, como se fosse o seu senhor e não o seu servidor.

Bus
(Informática)

 

 

Ou barramento, representa o conjunto de linhas condutoras eléctricas que interligam os diversos elementos dentro do computador. Geralmente tem a forma de linhas sobre uma placa de circuito impresso.

 

 

 

 

 

Índice

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

 

 C

Cacofonia
(Português)

 

Repetição de sons desagradáveis numa mesma sequência frásica. Opõe-se à eufonia e pode aplicar-se também à ocorrência de sons iguais no final de uma palavra e no começo na seguinte (cacófato). Constituem exemplos de cacofonia a aliteração, a colisão, o eco e o hiato. Encontramos cacofonia nasal no seguinte verso de Carlos Drummond de Andrade: “A língua, inda sangrando em cacos de palavras” (“Sonetos heredianos”, I, in Amar se Aprende Amando, 1985). O poema “The Bells”, de Edgar Allan Poe ou “Meeting at Night”, de Robert Browning, são também exemplos de utilização premeditada de cacofonias para traduzir, respectivamente o som dos sinos e o som de uma chama a ser deflagrada. Os clássicos não estão isentos de cacofonias nos seus melhores textos. No seu Tratado de Metrificação Portuguesa (1851), Feliciano de Castilho propõe três tipos de cacofonias: de torpeza, de imundície e de simples desagrado, todas as espécies atestadas mesmo nos autores clássicos. O conceito de cacofonia é próximo do de dissonância, embora este se reserve para a simples falta de harmonia entre sons próximos, que não têm de ser necessariamente agressivos para o ouvido.

Cadaste de popa
(História)

 

Peça colocada na parte posterior do barco, onde assentam as dobradiças do leme, permitindo uma melhor estabilidade do barco.

Cadeia alimentar
(Biologia / Geologia)

 

Sequência de produção e utilização de alimento pelos seres vivos de um ecossistema

Calcolítico
(História)

 

Fase da evolução da humanidade, em que apareceram os primeiros objectos de metal.

Caleidoscópio
(Português)

 

 

Aparelho óptico para fins lúdicos que consiste num jogo de figuras simétricas multicores e variáveis reflectidas à medida que se desloca o aparelho. Aplicada metaforicamente à literatura, a ideia de caleidoscópio serve para caracterizar certas composições literárias complexas, quer formadas por colagens de múltiplos efeitos quer constituídas por acções variadas que se sucedem em catadupa. O romance pós-moderno, de uma forma geral, e os romances policiais, por exemplo, são ricos em imagens caleidoscópicas.

Califas
(História)

 

No seu significado originário significa sucessor de Maomé; posteriormente passou a designar os soberanos (espirituais e temporais) entre os Muçulmanos.

Calipso
(Português)

 

 

1. Uma das filhas de Nereu, um dos “Velhos do Mar” e irmã de Dione, Galateia, Janira, Orítia, Proto, Tétis, entre outras. Divindades marinhas por excelência, de grande beleza, representam para muitos a personificação das ondas do mar e do aspecto jovial do mar. As Nereides viviam no fundo do mar, de acordo com a tradição, num palácio do pai, sentando-se num trono de ouro. O seu tempo era ocupado a fiar, a tecer e a cantar, para além de se divertirem a cavalgar golfinhos ou cavalos-marinhos nas ondas, como diziam os poetas gregos e os posteriores, com os seus longos cabelos a boiar nas águas e alegremente a nadar e saltar por entre golfinhos e tritões.

2. Personagem do conto "A Perfeição", Calipso é a deusa que reina na ilha de Ogígia. Aos seus domínios e aos seus braços acolhe-se Ulisses, naufragado no regresso de Tróia; caracterizada como figura em quem se reconhecem todas as perfeições, incluindo a da perene beleza e a da imortalidade, Calipso não consegue reter Ulisses, precisamente cansado dessas divinas perfeições. Por isso, obedece a uma ordem de Júpiter e deixa partir o herói.

 

Cambista
(História)

 

Pessoa que é dona de estabelecimento de câmbios, isto é, que faz troca de valores (dinheiro, letras, cheques e, às vezes, metais preciosos).

Cambistas
(História)

 

Comerciantes especializados no negócio de troca de moeda nacional por moeda estrangeira.

Campanha Publicitária
(Ciências Económico-Sociais)

 

Conjunto de peças publicitárias, criadas, produzidas e veiculadas de uma forma coordenada, referentes a um produto, a uma marca, a uma empresa ou a uma instituição. É um dos elementos do mix de comunicação.

Campo associativo ou conceitual
(Português)

 

Conjunto de palavras agrupadas a partir de um termo-chave, segundo uma lógica de associação de sentido. Por exemplo, um campo associativo para o termo mar deve incluir água, barco, peixe, pescador, praia, sal,… . A noção de isotopia sobrepõe-se a este conceito. Num campo associativo, realizam-se laços associativos entre as palavras consideradas nesse campo. Saussure chamou relação associativa à ligação formal ou semântica que se estabelece entre uma palavra e outras por ela evocadas. A teoria dos campos associativos apenas considera as palavras na sua realidade individual. A teoria dos campos semânticos vai propor que o mais importante é a estrutura do campo como um todo.

Campo lexical
(Português)

 

 

O campo lexical refere o conjunto de palavras ou expressões que se organizam entre si em função das suas relações de sentido e abrangendo um determinado campo conceptual. Observe estas palavras: areia – mar – férias – bandeira – sol – brincar – conchas – bola – creme – descansar. Com que área da realidade as relacionas? Provavelmente com praia. Dizemos, então, que aquelas palavras constituem um campo lexical (neste caso, o campo lexical de praia).

Campo magnético
(Ciências Físico-Químicas)

 

 

Campo de forças que existe em redor de um corpo magnético ou de um condutor percorrido por corrente eléctrica.

Campo semântico
(Português)

 

Conjunto de sentidos que pode ter a mesma palavra em contextos diferentes.

Conjunto de palavras unidas pelo sentido. Por exemplo, o campo semântico de mãe inclui: mãe-de-família, mãe-de-santo, mãe solteira, terra-mãe, mãe-de-água,… Deve-se evitar a confusão entre campo semântico e campo associativo ou conceptual, porque este não dá conta das relações linguísticas entre os termos considerados. O campo semântico é, pois, toda a área de significação de uma palavra ou de um grupo de palavras. Se quisermos descrever o campo semântico da palavra luva, por exemplo, incluiremos nele todas as possibilidades semânticas como: luvaria, luveiro, assentar como uma luva, atirar a luva, de luva branca, deitar a luva, macio como uma luva. Foi Jost Trier quem desenvolveu a teoria dos campos semânticos. Não é possível demonstrar que todo o vocabulário esteja coberto por campos semânticos. A teoria dos campos semânticos tem-se concentrado apenas em alguns grupos bem definidos como as cores, as relações de parentesco, as experiências religiosas, etc. Segundo Stephen Ullman, “a teoria dos campos fornece um método valioso para abordar um problema difícil mas de crucial importância: a influência da linguagem no pensamento. Um campo semântico não reflecte apenas as ideias, os valores e as perspectivas da sociedade contemporânea; cristaliza-as e perpetua-as também; transmite às gerações vindouras uma análise já elaborada da experiência através da qual será visto o mundo, até que a análise se torne tão palpavelmente inadequada e antiquada que todo o campo tenha que ser refeito.” (Semântica, 4ªed., Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1977, p.523).

Canalização de Conflitos
(História)

 

 

Antagonismo declarado entre pessoas ou grupos, relativamente a interesses ou a ideias que os opõem. Dada a impossibilidade de eliminação total dos conflitos, os grupos antagónicos libertam as tensões acumuladas sob a forma de festas, orgias, combates, concertos de música, etc.

Canal de Distribuição
(Ciências Económico-Sociais)

 

Rede de empresas que leva os produtos do produtor ao consumidor.

Canção
(Português)

 

 

Provavelmente relacionada com a "cansó" provençal; no século XV passa a designar uma composição de forma fixa, por influência da "canzone" italiana, cultivada por Dante e Petrarca. É constituída por uma série de estrofes, de numero regular de versos, culminando numa estrofe menor, em que a própria canção é apostrofada.

Forma poética, inicialmente destinada ao canto, pode designar a canção medieval e provençal (poemas cultos trovadorescos), a canção clássica. Começa a ser considerado um género literário no início do renascimento italiano, em especial com Petrarca. Em Portugal, Camões recorreu, algumas vezes, a esta composição poética. A canção clássica é composta por texto (pode ser subdividido em introdução e texto) e finda. Tem o mesmo número de versos e mantém o esquema métrico e rimático em cada estrofe do texto; na finda a estrofe é sempre mais curta do que as restantes. Na Idade Média, surgiu a canção de gesta, que fazia a narrativa de façanhas heróicas, em que o tema amoroso sempre sobressaía.

Canção de gesta
(Português)

 

Tradução do francês chanson de geste, para designar um tipo de composição de carácter épico, cujo tema respeita aos feitos históricos de povos ou heróis, às guerras históricas e aos dramas lendários. O género nasceu e desenvolveu-se na França medieval, desde o século XI até ao século XIII, quase sempre concentrando a acção nos feitos ilustres de Carlos Magno (século VIII). A estas canções de gesta deu-se o título de geste du Roi, subgénero que inclui uma das mais famosas composições, a Chanson de Roland (c.1100). Os três grandes ciclos conhecidos são: Gestas de Carlos Magno, Gestas de Garin de Monglane e Gestas de Don de Mogúncia. Sobreviveram apenas cerca de oitenta composições, privilegiando o decassílabo e as estrofes de quinze versos. Eram geralmente declamadas por jograis, que acompanhavam os textos com música. A matéria dos textos costuma incluir não só a narração de factos históricos mas também lendas e ficções poéticas. Essa matéria, designadamente a da Bretanha, forneceu inspiração à literatura ibérica, sobretudo nas novelas de cavalaria e nos romances tradicionais.

Cancioneiro
(Português)

 

 

Colectânea de poemas de vários autores de uma dada época literária. Os cancioneiros relativos á nossa mais antiga poesia, a lírica galego-portuguesa, composta entre cerca de 1196 e 1350, datam dos séculos XIII (Cancioneiro da Ajuda) e XIV (Cancioneiro da Biblioteca Nacional e Cancioneiro da Biblioteca Vaticana). 0 Cancio­neiro Gera/ de Garcia de Resende foi publicado em 1516 e reúne cerca de 300 composições dos reinados de D. Afonso V, D. João lI e D. Manuel.

Cânhamo
(História)

 

Planta cujas fibras se utilizam no fabrico do vestuário.

Cantar de gesta
(Literatura)

 

Na literatura castelhana, chama-se cantar de gesta a composições semelhantes na índole temática à chanson de geste francesa (canção de gesta), mas diferente na metrificação, que tende a ser mais longa do que o seu modelo provençal. O mais famoso cantar de gesta castelhano é o Poema de mio Cid (c. 1140). A temática dos cantares de gesta varia entre o relato de guerras contra os Mouros invasores da Península Ibérica e guerras particulares entre senhores e vassalos.

O termo cantar tem uma forte tradição na literatura castelhana e inclui ainda as variantes cantar de pandeiro, de origem galega, composição em tercetos que serve para acompanhar esse instrumento musical popular, também utilizado em Portugal, e cantar jondo, característico da Andaluzia.

Cântico
(Português)

 

Termo derivado do latim canticum, que, no drama romano, se refere às partes cantadas, por oposição às partes faladas ou diverbium. As peças de Plauto contêm vários cantica. Posteriormente, o termo ficou próximo das ideias de canto de hino, salmo e ode, e, geralmente, distingue-se por ser destinado a louvar uma divindade. É frequente nos rituais cristãos, destacando-se já nos Evangelhos o conjunto de salmos conhecido por Cântico dos Cânticos, atribuídos ao rei Salomão. Na literatura, esta origem litúrgica nunca é abandonada, podendo escrever-se um cântico de adoração a uma pessoa muito estimada que se quer comparar a uma divindade. As “Odes e Canções” e os “Versões e Imitações (in Campo de Flores, 1893), de João de Deus, podem, neste sentido, ser consideradas cânticos, pela revelação dos sentimentos de devoção íntima.

Cantiga
(Português)

 

 

Durante a época medieval, designa uma curta forma poética em língua vulgar. Na Arte de Trovar, tratado de poética medieval, aplica-se a todos os géneros. Termo utilizado pelos próprios trovado­res, atesta a união da poesia e da música, na origem da nossa tradição lírica ocidental. A partir do século XV, dissociados poema e música, designa qualquer peça lírica em versos curtos (normalmente em redondilha menor e maior); mais especificamente, designa uma composi0o sujeita a mote, de quatro ou cinco versos, seguido de uma glosa de oito ou dez versos, em que se desenvolve o tema enun­ciado no mote; nos casos em que temos mais de uma glosa, estas são) obrigadas ao mesmo esquema estrófico, repetindo-se em cada uma, a terminar, o ultimo ou os dois últimos versos do mote, textual­mente ou com variações.

 

Composição poética formada por um mote de quatro ou cinco versos e por uma ou mais estrofes de oito, nove ou dez versos, chamadas voltas ou glosas. Para ser perfeita o último verso do mote deve repetir-se, com ou sem alteração, no final de cada volta.

CANTIGA DE AMIGO — Forma poética medieval reconhecível pela utiliza­ção do termo "amigo", ou de um vocabulário em torno de termos como "madre", "filha", "amiga", "irmana", "moça", "velida", etc., e pela expressão, por um sujeito feminino, das suas dores e alegrias amorosas.

CANTIGA DE AMOR — Forma poética medieval, cultivada no ambiente cortesão, em que o trovador exprime a sua paixão, não correspon­dida, de forma convencional (cortês e mesurada), por uma dama de elevada estirpe social dotada de todas as perfeições.

CANTIGAS DE ESCÁRNIO E MALDIZER — Formas poéticas medievais, em que o trovador satiriza alguém ou uma situação: de modo indirecto, irónica ou sarcasticamente, no primeiro caso; directamente, nome­ando o visado, no segundo caso. A diferença é estilística, não temá­tica, assentando no equívoco, pelo qual o escárnio é definido.

CANTIGA DE MESTRIA — Termo da Arte de Trovar. Forma poética que cor­responde ao esquema da "cansó" provençal, que se caracteriza pela ausência de refrão.

CANTIGA DE REFRÃO – Forma poética caracterizada pela repetição de um ou mais versos no final de cada estrofe, que corresponde a estru­tura típica da cantiga peninsular medieval.

CANTIGA DE ROMARIA – Provavelmente de origem galego-portuguesa; nas cantigas de amigo, abrange aquelas em que se evocam as cir­cunstâncias específicas de uma peregrinação ou romaria, em regra associadas a uma situação amorosa.

Canto
(Português)

 

1. Poesia que se pode cantar; hino, ode ou canção.

2. Parte de um poema épico ou didáctico, equivalente à divisão em capítulos numa obra de ficção. Desde a Ilíada e a Odisseia, de Homero, à Eneida, de Virgílio, a divisão da obra em cantos é uma regra cumprida na Antiguidade. Os Latinos usavam também a designação de livros (libri), para dividar as partes de uma obra, como no caso de De natura rerum, de Lucrécio,  que é composto por seis libri. Muitos textos modernos estão também divididos em cantos, por exemplo: a Divina Commedia, de Dante, Os Lusíadas, de Luís de Camões, Faerie Queene, de Spenser, Childe Harold’s Pilgrimage, de Byron, etc. Ezra Pound intitulou mesmo a sua obra-prima The Cantos. A divisão em cantos pode ser aplicada a poemas de índole diversa, embora seja uma convenção da épica.  

 

Canzonetta
(Português)

 

 

Tipo de canção italiana proposto por Chiabrera e que imita por segunda via as odes anacreônticas renovadas por Ronsard e os poetas da Plêiade. A canzonetta é destinada ao canto e recorda a balada popular da Renascença italiana. A medida dos versos de uma canzonetta variam bastante, embora sejam preferencialmente curtos; o número de estrofes é geralmente de seis. Nos séculos XVII e XVIII, a canzonetta ganhou ainda particular relevo.

 

Capacidade craniana
(História)

 

Volume total da caixa craniana.

Capitalismo rural
(História)

 

 

Sistema económico no qual os meios de produção agrícolas (terra, ferramentas, máquinas, adubos, sementes, gado) são propriedade privada de grandes exploradores, passando-se da agricultura de subsistência para a agricultura de mercado e investem, frequentemente, na indústria os capitais saídos do solo.

Capitanias
(História)

 

Territórios ultramarinos concedidos pelo rei a particulares (os "donatários ou "capitães-donatários"), com a finalidade de estes promoverem o povoamento e a exploração económica dessas regiões.

Capitã
(História)

 

Onatário – agente a administração colonial portuguesa encarregado de fomentar o povoamento e a exploração económica de um território ultramarino.

Capitel
(História)

 

Parte superior da coluna.

Capitulação
(História)

 

Rendição; aceitação da derrota

Capitulares
(História)

 

Leis, ordens emanadas do poder central, ou seja, do imperador.

Capítulo
(História)

 

Assembleia de monges.

Capítulo da catedral
(História)

 

Lugar onde se reuniam as assembleias dos mais importantes membros do clero.

Caracterização Directa

(Português)

 

Descrição explicita dos atributos das perso­nagens, que pode ser feita por várias instâncias narrativas: a própria personagem, outra personagem ou o narrador.

Caracterização Directa

(Português)

 

Ausência de descrição explicita dos atri­butos das personagens, sendo a sua caracterização deduzida a partir dos seus comportamentos ou linguagem.

Carbohidratos
(Biologia / Geologia)

 

Compostos ternários de carbono, hidrogénio e oxigénio, em que o oxigénio e o hidrogénio estão presentes aproximadamente nas proporções da água.

Carmen

(Português)

 

Termo latino que designa literalmente uma canção lírica de inspiração divina e que pode hoje considerar-se um arcaísmo. O seu sentido estendeu-se de composições épicas a fórmulas legais. O termo surge quando se citam as obras de Catulo (Carmina), de Horácio (Odes), os poemas goliardos Carmina Burana ou na expressão carmen figuratum. Em todos os casos, pressupõe-se a dádiva à divindade pela perfeição da obra criada ou pelo simples afflatus. Hoje, pode-se utilizar o termo quando queremos acentuar a natureza espiritual de uma obra de arte, em especial as obras poéticas.

Carmina burana

(Português/Literatura)

 

Expressão latina que designa uma colectânea poética de textos medievais anónimos, escritos em latim e alemão antigo, na primeira metade do século XIII. Estão representados textos alemães, mas também, em menor proporção, ingleses e franceses. Os carmina burana, “cânticos de Beuron”, nome da abadia beneditina da Baviera, onde se encontrou essa colectânea, terão sido escritos por goliardos ou clérigos anónimos, que se opunham à lei eclesiástica vigente. As poesias da colectânea glosam temas satíricos e burlescos, tendo sempre debaixo de mira os costumes e a vida religiosa, privilegiando um ideal de vida epicurista, exaltando o carpe diem, onde se mistura sexo, álcool, libertinagem, etc. Em 1937, o compositor alemão Carl Orff inspirou-se nestes textos para a conhecida ópera com o mesmo título.

Carsificação
(Ciências Físico-Químicas)

 

Conjunto de processos que conduzem à formação de grutas em regiões alcárias.

Carta das Nações Unidas
(História)

 

Foi assinada na Conferência de S. Francisco, em 1945, pelos cinquenta países que lutaram contra o Eixo na II Guerra Mundial.

Carta de feira
(História)

 

Documento oficial, assinado pelo rei, que autorizava a criação de uma feira.

Carta de Foral
(História)

 

Documento ou diploma pelo qual se concedia a uma colectividade urbana ou rural a qualidade de concelho, ou seja, a qualidade municipal, com os direitos e os deveres.

Carta Constitucional
(História)

 

Constituição elaborada e outorgada pelo rei e não pela Assembleia Constituinte.

Cartel
(História)

 

 

Exemplo de associação de empresas que controlam, a médio prazo, uma das fases da produção (de um modo geral, a última). Embora mantendo uma autonomia técnica e jurídica, as empresas possuem uma gerência comum.

Cartel
(História)

 

Acordo entre empresas quanto à fixação de preços ou partilha de mercados. É uma forma de redução da concorrência, mas, em alguns países, é considerado uma prática ilegal.

Cartografia
(História)

 

Ciência ou arte de desenhar cartas ou mapas geográficos.

Cásida

(Português)

 

Composição poética arábica e pérsica, curta (com pelo menos 30 versos), em tom panegírico e de assunto quase sempre amoroso. O lugar-comum é o do poeta que dá expressão aos seus sentimentos de reverência amorosa, descrevendo inclusive os lugares e as acções influenciadas por tal estado de espírito. A cásida exige unidade de composição, o que a distingue da mallaka, outra forma arábica de expressão poética, mais ou menos extensa. Em ambos os casos, os poetas são geralmente guerreiros que celebram afectadamente os próprios feitos ou façanhas de antepassados heróicos.

Catacrese

(Português)

 

Metáfora para que não há termo próprio disponível na língua.

Ex.: A perna da mesa; a folha de papel.

Catacumba
(História)

 

Galerias subterrâneas em cujas paredes se faziam túmulos e onde os primeiros cristãos se reuniam secretamente.

Catáfora

(Português)

 

Do grego  (: baixar, levar para baixo, fazer cair), o termo é utilizado, em linguística, por alguns autores, para designar uma unidade verbal que remete antecipadamente para outra que aparece posteriormente no mesmo texto. Assim, no enunciado «O cão seguia-o para todo o lado, reparou o rapaz quando se voltou», o pronome o de seguia-o é, por alguns autores, considerado uma unidade verbal catafórica, uma vez que se refere a o rapaz, que aparece posteriormente no enunciado.

Na linguística do texto, significa a referência que um elemento da cadeia textual faz a outro ou outros elementos que se encontram colocados adiante na linearidade do texto; operação inversa da anáfora.

Catalisador
(Ciências Físico-Químicas)

 

Substância que altera a velocidade de uma reacção química sem se gastar nela.

Catálise

(Português)

 

Uma das unidades funcionais que Roland Barthes distingue na diegese e que se refere aos dados acessórios que não contribuem para o avanço da acção : “des notations subsidiaires, qui s’agglomèrent autour d’un noyau ou d’un autre sans en modifier la nature alternative” (“Introduction à analyse structurale des récits”, Communications, nº 8, 1966, p. 9). Seja, por exemplo, o seguinte excerto: “Baltazar e Simão seguiam calados, olhando em volta, vendo quem vinha.” (Maria Velho da Costa, Missa in Albis, 1988). A aplicação do modelo estrutural a este texto determinaria que as duas orações gerundivas fossem classificadas como catálises, uma vez que não contribuem para o avanço da acção. Dentro da sintaxe da diegese, uma catálise só ocorre em relação com o seu núcleo ou função cardeal. Por outras palavras, uma catálise não pode ser compreendida fora da totalidade das acções que constituem a narrativa.

Este instrumento operatório, que se utiliza na análise estrutural da narrativa, faz parte de um tipo de função aí identificado a que Barthes chama função distribucional (de funcionalidade linear), distinta da função integrativa (de funcionalidade ascendente, como os indícios e os informantes).

         Tal como as restantes unidades estruturais, este tipo de operacionalidade é limitado, pois não é possível identificar em todo o texto literário aquilo que é acção (=função cardeal) e aquilo que é pausa (=catálise). Uma vez ultrapassado o âmbito circunscrito da análise estrutural da narrativa, onde estas operações decorrem, será sempre possível contrariar as decisões classificatórias das acções de uma narrativa, por causa da ambiguidade e da plurissignificação próprias do texto literário. Por exemplo, na frase transcrita acima, pode-se argumentar que as unidades “olhando em volta” e “vendo quem vinha” são fundamentais (portanto, são núcleos e não catálises) para a história narrada, se se provar que tais acções comportam consequências para o seu desenrolar. Este modelo estruturalista terá dificuldades em se aplicar, por exemplo, a todos os anti-romances (anti-literatura) que procurem disseminar ou simular ou mesmo apagar a intriga.

Catarse
(Filosofia)

 

 

Do grego catharsis, «purificação», «evacuação», «purga». Aristóteles considera que este conceito representa a purificação das paixões do espectador, através da arte e de um modo particular através da tragédia. A psicanálise entende a catarse como um método terapêutico, uma vez que permitiria ao paciente libertar o conteúdo recalcado, para assim aceder mais eficazmente ao conteúdo do consciente.

Catarse

(Português)

 

Processo psicológico de purificação dos sentimentos do espectador da tragédia, que se identifica com os conflitos represen­tados. (cf. Elementos da tragédia Grega)

Catástase

(Português)

 

1. Termo da tragédia clássica que corresponde ao momento nuclear que antecede a catástrofe e que de algum modo a retarda. Pode funcionar como sinónimo de clímax. No modelo clássico, a construção do drama previa um esquema composto por quatro partes: prótase (protasis) ou introdução, epítase (epitasis) ou conflito, catástase (katastasis) ou clímax e catástrofe (katastrophe) ou desfecho.

2. Parte narrativa da introdução de um discurso, onde se apresenta a questão a ser discutida.

Catástrofe

(Português)

 

 

Grande desgraça ou calamidade. Definida na Poética de Aristóteles como uma acção perni­ciosa e dolorosa que provoca uma reacção emocional marcada pelo excesso (pathos).

 (cf. Elementos da tragédia Grega)

 

Caudal
(Geografia)

 

Volume de água que passa numa determinada secção do rio, por segundo. Expressa-se em m3/s.

Caudal Ecológico
(Geografia)

 

Caudal com um volume mínimo de água, capaz de garantir a sobrevivência das espécies vegetais e animais que nele se desenvolvem.

Causa
(Filosofia)

 

 

Aristóteles foi o primeiro filósofo a desenvolver uma reflexão sistemática sobre o alcance deste conceito filosófico. Assim perspectivou a existência de quatro causas. Primeiro a causa material, que diz respeito à causa da transformação da matéria, (ex: o bloco de uma mármore em relação à estátua.); a causa eficiente ou o agente responsável pela transformação, (ex: o cinzel que permite esculpir a estátua); a causa final que diz respeito à finalidade da transformação, à intenção do escultor, e finalmente a causa formal, ou a ideia que molda o objecto que sofreu uma transformação de um modo determinado. A classificação que Aristóteles elaborou foi alvo de um desenvolvimento ao longo da época moderna: as causas finais são abandonadas e as relação causa-efeito passa a partir daí a ser pensada como estando unida numa relação de antecedente e de consequente, tendo por base a ideia de determinismo.

Cavaleiro
(História)

 

Vilão – tinha possibilidades económicas para possuir e combater a cavalo, estando isento de alguns impostos e serviços.

Celulose
(Ciências Físico-Químicas)

 

Polímero de glicose, principal constituinte das membranas das células vegetais.

Cena

(Português)

 

 

Divisão de um acto, marcada pela entrada ou saída de uma personagem.

Centralizada
(História)

 

Concentrada; organizada de acordo com um centro comum.

Central Termoeléctrica
(Geografia)

 

Central de produção de energia eléctrica desenvolvida por meio de calor.

Cepticismo
(Filosofia)

 

 

O cepticismo, contrariamente ao que veicula o senso comum, não afirma que a verdade é inacessível, mas sim que não podemos ter a certeza de a alcançar. A Filosofia é assim antes de mais uma prática da dúvida, que tem como objectivo suspender toda a opinião. O cepticismo grego é a este propósito muito claro: trata-se de suspender a opinião com o objectivo de atingir a tranquilidade da alma, ou a ataraxia, que repreenda o momento da sabedoria. Devemos estabelecer uma distinção entre a dúvida céptica, que de um modo definitivo suspende toda e qualquer opinião, e a dúvida metódica, tal como Descartes a preconiza, que sendo provisória, só permanece enquanto não encontramos uma verdade segura, ou seja, o cogito.

Cesura

(Português)

 

Pausa no interior de um verso. Na métrica tradicional, esta pausa era obrigatória, sendo ditada pelo ritmo imposto ao verso. Não deve ser confundida com pausa de leitura, que é variável de leitor para leitor. Os versos curtos (até cinco sílabas) não estão, normalmente, sujeitos a cesura. Nos versos longos, pode ocorrer no princípio (“Cantei; ║ mas se me alguém pergunta quando”, Camões), no meio (“é ferida que dói, ║ e não se sente”, Camões) ou perto do fim do verso (“enquanto não quiserdes vós, ║ Senhora”, Camões). A posição medial é a mais comum. É possível um verso conter mais do que uma cesura (“olhe o céu, ║ olhe a terra, ║ ou olhe o mar”, Sá de Miranda). A cesura é muitas vezes marcada pela pontuação. Se ocorrer após uma sílaba breve ou átona, chama-se cesura feminina; se ocorrer após sílaba longa ou tónica, chama-se cesura masculina.

Chanson de Roland (la)
(Francês)

 

 

La plus ancienne chanson de geste française, écrite vers 1100. Cette chanson conte le massacre en 778 de l'arrière-gauche de l'armée de Charlemagne. Ce récit est devenu le symbole de l'idéal chevaleresque et de l'esprit de croisade.

Chartist Movement
(Inglês)

 

 

A political movement among the lower-middle and working classes in Britain, between 1837 and 1848. Their six-point "People¿s Charter" consisted of: universal male (not female) suffrage; equal electoral districts; secret ballot; annual general elections; payment of members of Parliament; abolition of the property qualification for members of Parliament. Chartism left a deep and permanent mark on English History. It was the first widespread and sustained effort of working class self-help. It was directed to the cause of parliamentary democracy and constitutional reform.

Chat room
(Informática)

 

Um local na Internet onde dois ou mais utilizadores podem trocar mensagens em tempo real.

Chefe Carismático
(História)

 

Estadista que assume de forma ditatorial a governação, através de uma forte propaganda que o glorifica e lhe presta um verdadeiro culto.

Choucroute
(Francês)

 

Chou blanc coupé en morceaux et fermenté.

Choucroute alsacienne
(Francês)

 

Plat préparé avec des choucroutes cuites accompagnées de charcuterie.

Ciclo de vida de um produto
(Ciências Económico-Sociais)

 

Descrição da presença de um produto ou serviço no mercado ao longo do tempo. Teremos assim 4 fases distintas: introdução, crescimento, maturidade e declínio.

Cidade
(História)

 

 

Povoação que, pelo seu crescimento, pratica várias actividade (agricultura, comércio, actividades artesanais), tem uma diferenciação social. O nascimento da cidade demarca a separação entre a humanidade primitiva e a revolução urbana.

Cidadela
(História)

 

Recinto fortificado.

Cidades estipendiárias
(História)

 

Cidades totalmente dependentes de Roma a quem pagam imposto.

Circuito comercial
(História)

 

Rota comercial.

Circunlóquio

(Português)

 

 

Substituição de uma palavra por uma expressão mais longa, cujos termos designam analiticamente a realidade por ela refe­rida. Pode atenuar ou velar a realidade a designar (eufemismo, enigma) ou descrevê-Ia explicitamente (definição, descrição). O mesmo que perífrase.

Ex.: "[...]misera e mesquinha,/que despois de morta foi rainha" (Luis de Camões); "No tempo em que não tínhamos idade" (Manuel Alegre).

Civilização helénica
(História)

 

Civilização grega.

Classe de Palavras
(Português)

 

 

Conjunto que engloba todas as palavras pertencentes a uma mesma categoria gramatical; dentro dessas classes há ainda as subclasses. São as seguintes as classes de palavras: A Classe do Nome A Classe do Adjectivo A Classe do Determinante A Classe do Pronome A Classe do Verbo A Classe do Advérbio A Classe da Preposição A Classe da Conjunção A Classe da Interjeição

Classe dos Nomes (Ou Substantivos)
(Português)

 

 

Palavras que designam seres animados, objectos materiais, qualidades, sentimentos ou estados de alma. Os nomes apresentam variação em número, género e grau.

FLEXÃO EM NÚMERO: Na sua maioria os nomes apresentam singular e plural, se representam uma só coisa ou várias, respectivamente. Existem, porém, alguns que só se usam no singular, como os nomes de metais, ventos, produtos animais e vegetais, artes e ciências, alguns nomes abstractos, etc.:

Clímax

(Português)

 

Etimologicamente, escada, gradação. O ponto máximo de intensidade numa sequência de ideias ou acontecimentos. No texto dramático corresponde ao ponto máximo da tensão a partir do qual se define o desfecho.

Cloreto de sódio
(Ciências Físico-Químicas)

 

 

Substância iónica, sólida cristalina e solúvel em água (a sua solubilidade em água varia muito pouco com a temperatura). Funde a 801 ºC e o seu ponto de ebulição é 1413 ºC. Tem inúmeras aplicações industriais e é conhecido universalmente como "sal das cozinhas" pelo seu uso como conservante e tempero alimentar. Tem ainda um papel chave nos sistemas biológicos, na manutenção do balanço electrolítico.

Cockney
(Inglês)

 

 

1. A person who was born in the East End of London, usually someone who is working class and who speaks with a strong accent. It is said that a person born near enough to hear Bow Bells (the church bells of St. Mary-Le-Bow in London) is a true Londoner or Cockney.

2. The dialect and accent that is typical of native especially working class, of London.

 

Códice

(Português /linguística)

 

"Livro manuscrito organizado em cadernos solitários entre si, por cosedura e encadernação. Diferente de "rolo" (D.T.L., I, p.80)

Codicologia

(Português/linguística)

 

"Arqueologia do livro manuscrito. Ocupa-se da observação, descrição e interpretação dos elementos codicológicos (suporte, tinta, letra, organização dos cadernos, em paginação, cosedura, encadernação, chancelas de arquivos, etc.) procurando reconstruir as fases de elaboração do códice e a história da sua utilização. Para a codicologia, o livro manuscrito é sobretudo o testemunho de uma época passada, enquanto objecto material e enquanto produto de uma técnica." (D.T.L., I, p.80).

Colagéneo
(Ciências Físico-Químicas)

 

Proteína fibrosa que se encontra em grandes quantidades nos tecidos da pele, nos tendões e nos ossos.

Colectâneas da Poesia Barroca

(Português)

 

Quase todos os poetas deixaram dispersa a sua poesia, não a tendo publicado em edição própria por diversas razoes, algumas das quais estarão ligadas às difíceis condições em que a imprensa vivia. Todavia as poesias foram reunidas em duas grandes colectâneas: Fénix Renascida e Postilhão de Apolo.

O compilador da primeira foi Matias Pereira da Silva, que lhe deu o seguinte título, bastante eloquente: A Fénix Renascida ou Obras Poéticas dso Melhores Engenhos Portugueses. Saíram cinco volumes, de 1716 a 1728.

O compilador da segunda foi José Merengelo de Osan, criptónimo de D. José Ângelo de Morais, sendo publicada com o título pomposo de: Ecos que o Clarim da Fama dá: Postilhão de Apolo montado no Pégaso, girando no Universo para divulgar ao Orbe Literário as Peregrinas Flores da Poesia Portuguesa com que vistosamente se esmaltam os Jardins das Musas do Parnaso. Saíram seis volumes; o primeiro Eco em 1716 e o segundo Eco em 1762.

Ambas as antologias contêm misturadamente poesias líricas, satíricas, burlescas, religiosas e ainda outras puramente narrativas.

 

Colectivizar
(História)

 

Tornar propriedade de muitos ou da sociedade.

Colonização
(História)

 

Criação de estruturas administrativas destinadas a promover o povoamento e/ou a exploração económica de terras além-mar.

Comédia

(Português)

 

De origem obscura, supõe-se que se relaciona com cantos em festins de homenagem a Dioniso, que terão evoluído para mani­festações jocosas e histriónicas. Peça teatral que visa a critica social através da representação de situações que evoquem a vida real e o insólito pelo qual muitas vezes se revela. O recurso ao ridículo, que provoca o riso, tem geralmente uma intenção moralizadora.

Comédie Française
(Francês)

 

Théâtre national, situé rue de Richelieu à Paris, fondé en 1680 par ordre de Louis XIV.

Comentário

(Português)

 

Intervenção do narrador no discurso do texto narrativo, em articulação com a narração de eventos ou com uma descrição, mas com marcas formais e semânticas próprias. Os comentários do narrador podem fazer parte de uma digressão, mas não se identi­ficam necessariamente com esta.

Comícios e Assembleia da Plebe
(História)

 

Assembleias populares que elegem os magistrados e aprovam ou rejeitam as leis.

Cómico

(Português)

 

Termo de origem grega (kômikós), que chegou até nós pelo latim comicu-. De ampla aplicação, traduz, textualmente, a conciliação de ideias ou de situações aparentemente irreconciliáveis. Essa conciliação é produzida através de um raciocínio engenhoso com a intenção de produzir o riso através do texto literário.

     A matéria cómica presta-se a uma dupla interpretação e, por essa razão, produz no espírito humano uma dupla impressão: de lógica e, simultaneamente, de absurdo. O riso é o resultado da nossa aceitação de duas ideias ou situações aparentemente irreconciliáveis. O cómico visa normalmente a solução de uma tensão através do riso.  David Fairley-Hills considera a incongruência como fonte do cómico já reconhecida pela tradição: “The comic […] arises from the incongruities between opposed ways of regarding the same ideas or images. That incongruity is a necessary ingredient of the comic has long been recognised. In Renaissance theories of the comic the role of incongruity was thought to be crucial. Hutcheson bases his understanding of the comic on the function of incongruities: ‘the cause of laughter is the bringing together of images which have contrary additional ideas, as well as some resemblance in the principal idea.’ ” (The Comic in Renaissance Comedy, Macmillan Press, London, 1981, p.20).    

     Apesar de ser tradicionalmente associado à comédia, o cómico manifesta-se também em textos poéticos e narrativos. Por outro lado, o cómico não tem apenas um carácter lúdico associado ao prazer. O riso aparece muito frequentemente no texto literário associado a uma função didáctica, cumprindo a célebre máxima latina: “Ridendo castigat mores” (É com o riso que se corrigem os costumes). Entre as noções de cómico e comédia, podemos estabelecer algumas relações. De uma forma geral, a comédia provoca o riso pondo em relevo excentricidades ou incongruências de carácter, da linguagem ou da acção. Na comédia, normalmente coexistem os vários tipos de cómico. O predomínio de um deles torna possível estabelecer as seguintes relações: o chamado cómico de situação, que resulta do próprio enredo, é característico da comédia de acontecimento ou de intriga; o cómico de carácter, resultante do temperamento das personagens, caracteriza a comédia de caracteres; o cómico de costumes, que explora as convenções e falsos valores da sociedade, é relacionável com a comédia de sociedade ou de costumes. Nesta última e na comédia de caracteres, a sátira assume-se como uma das mais fortes manifestações do cómico.

     Além da sátira, podem também ser manifestações do cómico a ironia, o humor, a caricatura, o pastiche, a paródia, etc. Jean Sareil (1984) considera que uma das fontes privilegiadas do cómico textual consiste no recurso aos clichés, que tanto podem surgir tomados à letra como alterados. 

     Na história da Psicologia, da Filosofia e da Teoria Literária, existem diversas tentativas de explicação do fenómeno do riso. Aristóteles, na sua Poética, considera que o cómico consiste no prazer de nos rirmos daquilo que é desagradável ou que tem defeitos. Segundo Kant, seria na contradição entre a expectativa e a realidade que residiria a essência do cómico. Já para Schopenhauer, este resultaria da incongruência existente entre uma ideia e o objecto real a que se pretende aplicar essa ideia. Por seu lado, Vischer sugere o absurdo e a incoerência como causas do cómico.

 

Cómico de carácter 

(Português)

 

Segundo a definição proposta por Henri Bergson: “É cómica a personagem que segue automaticamente o seu caminho sem se preocupar em entrar em contacto com os outros. O riso surge para corrigir a sua distracção ou para a arrancar ao seu sonho. (...) Geralmente, são deveras os defeitos de outrem que nos fazem rir - contanto, é verdade, que acrescentemos que esses defeitos nos fazem rir mais pela sua insociabilidade do que pela sua imoralidade.” (O Riso: Ensaio sobre a Significação do Cómico, Relógio d'Água, Lisboa, 1991, pp.88-91). Gil Vicente legou-nos uma vasta galeria de personagens-tipo que se destacam pelo seu carácter marcadamente insocial: por exemplo, em  Velho da Horta, caricatura um velho que tem paixões serôdias; na Farsa dos Almocreves, satiriza o fidalgo arruinado que não paga as suas dívidas; na farsa Quem Tem Farelos?, critica o escudeiro sem vintém; na Farsa de Inês Pereira, aponta o dedo ao escudeiro fanfarrão. Esta galeria de personagens que se destacam pelo seu carácter e pelos seus defeitos vai inspirar, por exemplo, D. Francisco Manuel de Melo a caricaturar a figura do pelintra Gil Cogominho, em Auto do Fidalgo Aprendiz (1646). Não só a insociabilidade serve para marcar o cómico de carácter de uma personagem, pois em certos casos basta um defeito ou fraqueza do foro psicológico para determinar o riso, como no caso do tímido Pero Marques, da também vicentina Farsa de Inês Pereira, que não quer ficar às escuras com Inês. A diferença de personalidades também pode conduzir ao cómico de carácter, como no caso dos quatro irmãos, todos muito diferentes entre si, da peça vicentina Juiz da Beira.

Cómico de linguagem

(Português)

 

Segundo a definição proposta por Henri Bergson: “Devemos distinguir entre o cómico que a linguagem exprime e aquele que a linguagem cria. O primeiro poderia, em rigor, ser traduzido de uma linguagem para outra, sujeito embora a perder boa parte do seu relevo ao passar para uma sociedade nova, diferente pelos seus costumes, pela sua literatura e sobretudo pelas suas associações de ideias. Mas o segundo é geralmente intraduzível. Deve o seu ser à estrutura da frase ou às palavras escolhidas. Não verifica, mediante o auxílio da linguagem, certas distracções particulares dos homens ou dos acontecimentos. Sublinha as distracções da própria linguagem. É a própria linguagem, aqui, que se torna cómica.” (O Riso: Ensaio sobre a Significação do Cómico, Relógio d'Água, Lisboa, 1991, pp.69-70). No Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente explora este tipo de cómico em particular com a personagem Joane, o Parvo, tipo marginal e grosseiro por definição, a quem a sociedade não cobraria defeitos de expressão linguística, como as célebres respostas em calão que dá ao Diabo que o quer encaminhar para a Barca do Inferno: “JOANE: Hou d’aquesta! / DIABO: Quem é? / JOA.: Eu sô. / É esta a naviarra nossa? / DIA.: De quem? / JOA.: Dos tolos? / DIA.: Vossa. / Entra! / JOA.: De pulo ou de voo? / Hou! Pesar de meu avô! / Soma: vim adoecer / e fui má-hora a morrer, / e nela, pera mi só. / DIA.: De que morreste? / JOA.: De quê? / Samicas de caganeira. / DIA.: De quê? / JOA.: De cagamerdeira, / má ravugem te dê!”. Outros exemplos no teatro vicentino, sempre modelar no recurso ao cómico, podem ser as interferências de dialectos ou estrangeirismos corruptos: a utilização de latim macarrónico (Auto da Barca do Inferno), do Português africano (Frágoa do Amor), do árabe (Cortes de Júpiter), do dialecto das ciganas (Farsa das Ciganas), do Francês, Italiano e Castelhano (Auto da Fama).

Cómico de situação

(Português)

 

Segundo a definição proposta por Henri Bergson: “Uma situação é sempre cómica quando pertence ao mesmo tempo a duas séries de acontecimentos absolutamente independentes, podendo interpretar-se alternadamente em dois sentidos completamente diferentes.” (O Riso: Ensaio sobre a Significação do Cómico, Relógio d'Água, Lisboa, 1991, pp.65-66). Gil Vicente utiliza este tipo de cómico no Auto da Índia, por exemplo, quando regressa o Marido da Ama adúltera, o que merece o seguinte reparo da Moça: “Quantas artes, quantas manhas, / que sabe fazer minha ama! / Um na rua, outro na cama!”. Na Farsa de Inês Pereira, Gil Vicente dá-nos outro exemplo clássico: quando o ingénuo Pero Marques se senta de costas numa cadeira, tendo atrás de si a pretendente Inês e respectiva mãe, e diz trazer uma pêras da sua pereira; quando pretende pô-las no chão, as pêras desapareceram…

Commedia dell'arte
(Francês)

 

Genre de comédie italienne basée sur l'improvisation.

Commonwealth
(Inglês)

 

 

A voluntary association of independent states. This voluntary association of nations began when Britain¿s older colonies (Australia, Canada, New Zealand and South Africa) became independent nations. The Queen is Head of the Commonwealth.

Companhia das Naus
(História)

 

Espécie de companhia de seguros marítimos que, através de duas bolsas estabelecidas em Lisboa e no Porto, indemnizava os proprietários de barcos naufragados ou apreendidos.

Comparação

(Português)

 

Confrontação de duas realidades para discernir entre elas semelhanças ou diferenças. O estabelecimento de analogias está na base de figuras como a imagem e a metáfora; a antítese nasce da dilucidação das diferenças.

Ex.: "Como morcegos, ao cair das badaladas, /Saltam de viga em viga os mestres carpinteiros" (Cesário Verde); "0 sonho a uma constante da vida/Tão concreta e definida/Como outra coisa qualquer/Como esta pedra cinzenta [...] /Como este ribeiro manso/[...]/Como estas ayes que gritam/Em bebedeiras de azul" (António Gedeão); "[...] toco a solidão como uma pedra" (Sophia de Mello Breyner Andresen); "São como um cristal, /as palavras. /Algumas, um punhal, /um incêndio. /Outras, / /Orvalho apenas" (Eugénio de Andrade); "Aquela nuvem/parece um cavalo...//Ah! Se eu pudesse montá-lo!" (José Gomes Ferreira); "E a lua lembra o circo e os jogos malabares" (Cesário Verde).

Comunismo
(História)

 

 

Doutrina política que preconiza o desaparecimento de todas as distinções de classe, a propriedade e o Estado, regendo-se a repartição do trabalho e dos rendimentos pelo princípio: "de cada um conforme as suas aptidões; para cada um conforme as suas necessidades".

Conceito
(Filosofia)

 

 

Do latim conceptus, «recebido», apanhado». O conceito designa uma ideia abstracta e geral. É a operação que o espírito realiza no sentido isolar, no cerne da realidade, conjuntos estáveis características comuns a numerosos indivíduos e associar um nome a cada um desses conjuntos. Ex: a formação do conceito de «cavalo», a partir dos diversos tipos de cavalo: lusitano, puro árabe, etc... Podemos dizer que os conceitos nos permitem organizar e conhecer a realidade.

Conceito predicável

(Português)

 

Processo retórico da oratória barroca que consiste na interpretação fantástica de um passo da Sagrada Escritura, com base em associações de ideias próximas ou dissemelhantes, e devidamente fundamentadas por uma autoridade teológica confirmada. Os sermões de António Vieira são o melhor exemplo desta prática oratória. Segundo António Sérgio: “Desenvolver um ‘conceito predicável’ significa inculcar uma proposição moral, não com o auxílio de argumentos válidos (isto é, por meio de relações verdadeiramente lógicas, a partir de factos da observação psicológica, ou da história, ou da experiência vulgar, ou então de princípios de natureza ética, ou filosófica ou teológica), senão que pelo artifício de uma simples imagem, recorrendo a um facto ou a uma frase da Bíblia que pelo uso habilidoso de uma ‘agudeza do engenho’ se decide apresentar como sendo uma alegoria, uma figura, um símbolo, daquela proposição que se deseja avançar.” (“Salada de conjecturas a propósito de dois jesuítas”, Ensaios V, 2ªed., Liv. Sá da Costa, Lisboa, 1981, p.96). Na época, publicaram-se em Portugal, em Espanha e em Itália várias compilações de conceitos predicáveis que pretendiam servir de referência a todos os oradores.

Conceptismo
(Português)

 

Uma das características formais do estilo barroco. Servindo-se do desdobramento de um conceito, até se chegar, através de raciocínios engenhosos, a imprevistos paradoxos, o Conceptismo consiste no jogo de ideias ou conceitos sob a forma de comparações ousadas, metáforas, imagens, sinédoques, hipérboles, etc., conducentes a uma densidade conceptual que obscurece o conteúdo. (cf. Barroco).

Concorde
(Francês)

 

 

Avion civile supersonique. Le premier vol d'essai a lieu le 2 mars 1969. Le 25 juillet 2000, il s'écrase après le décollage avec 113 personnes à bord, à Gonesse, près de Roissy. Le 31 mai 2003, Concorde fait son dernier vol commercial.

Concorrência dos Mares
(História)

 

 

Contestada pelos Holandeses, Ingleses e franceses, a teoria do "mare claususm" foi inicialmente posta em causa pelos corsários e piratas. No século XVII o poderio de Portugal e da Espanha decaiu e os países do Norte da Europa entraram na concorrência do comércio colonial e, consequentemente, da navegação nos mares.

Concreto
(Filosofia)

 

 

No plano filosófico o concreto refere-se de um modo geral à realidade dos seres ou objectos tal como se apresentam à experiência, em oposição a tudo aquilo que é abstracto, de tudo que se situa no domínio do pensamento. Refere-se, de um modo geral, a tudo aquilo que tem existência material. Em Hegel, concreto designa a totalidade, oposição a abstracto, que representa uma perspectiva parcelar.

Conexão
(Informática)

 

Acto de aceder a um computador pessoal ou a um site utilizando um nome de utilizador e/ou palavra passe.

Conexão Directa
(Geografia)

 

Ligação permanente entre dois computadores. Também é conhecida como linha dedicada.

Confederacy
(Inglês)

 

 

Name adopted by the federation of 11 slaveholding Southern States of the United States that seceded from the Union in 1861. Lincoln, in his inaugural address in 1861, rejected the right of secession but attempted to conciliate the South. However the Southern States took no notice of Lincoln’s appeal and on April 12, guns opened fire on Fort Sumter in the Charleston, South Carolina harbour. These shots marked the beginning of the American Civil War.

Confirmação (confirmatio)

(Português)

 

 

Parte do discurso em que se aduzem os argumentos que servem para demonstrar uma proposição. Na retórica clássica latina, Cícero e Quintiliano descreveram com pormenor todas as partes fixas de um discurso, incluindo a confirmatio (exordium > narratio > propositio > divisio > confirmatio > illustratio > confutatio > peroratio). Na sermonística do Padre António Vieira, a forma preferida de confirmação da matéria de um sermão é o exemplo. No Sermão da Sexagésima, dedicado ao tema “o não fazer fruto hoje  a palavra de Deus”, afirma Vieira: “A definição do pregador é a vida e o exemplo. Por isso Cristo no Evangelho não o comparou ao semeador, senão ao que semeia. Reparai. Não diz Cristo: Saiu a semear o semeador, senão, saiu a semear o que semeia: Ecce exiit, qui seminat, seminare. Entre o semeador e o que semeia há muita diferença. Uma coisa é o soldado e outra coisa o que peleja; uma coisa é o governador e outra o que governa. Da mesma maneira, uma coisa é o pregador e outra o que prega.”

Confutação (confutatio)

(Português)

 

 

Na retórica clássica, a apresentação de refutações, objecções e interrogações que o orador dirige ao público. No Sermão da Sexagésima (1655), António Vieira resume o tema do sermão à reflexão sobre o “pouco fruto da palavras de Deus”: “Pois se a palavra de Deus é tão poderosa; se a palavra de Deus tem hoje tantos pregadores, porque não vemos hoje nenhum fruto da palavra de Deus? Esta tão grande e tão importante dúvida, será a matéria do Sermão. Quero começar pregando-me a mim. A mim será, e também a vós; a mim, para aprender a pregar; a vós, para que aprendais a ouvir.” (§II). Está lançado o tema, apelando á participação do público. Nas próprias palavras de Vieira, a parte de um sermão que corresponde à confutação é aquela em que o pregador “há-de responder às dúvidas, há-de satisfazer as dificuldades, há-de impugnar e refutar com toda a força da eloquência os argumentos contrários”.

Conhecimento
(Filosofia)

 

 

Do latim «cognitio», acção de aprender. Na linguagem corrente, designa-se por conhecimento a simples identificação de alguma coisa ou de alguém. É a evocação da informação adquirida sobre um assunto. Num sentido mais preciso, a palavra conhecimento remete para a compreensão exacta e completa dos objectos, através do conhecimento científico. Este é o saber seguro acerca de determinada situação objectiva, e resulta da relação entre sujeito e objecto; nesta perspectiva, a função do sujeito consiste em apreender o objecto tornando-o presente a si próprio, enquanto que a função do objecto é a de se deixar apreender, dando conteúdo ao que é apreendido pelo sujeito. A experiência de cada um mostra que há, para o homem, dois modos de conhecimento: o conhecimento sensível, que é singular e concreto, dependendo a sua apreensão dos órgãos sensoriais - é um tipo de conhecimento imediato; e o conhecimento intelectual, que é universal e abstracto, dependendo unicamente da razão - é um tipo de conhecimento mediato.

Conotação
(Português)

 

Característica fundamental do texto literário, expressa na linguagem figurada, pela qual se desenvolve um conjunto de sentidos que fogem a uma única significação de cada termo.

Coq-à-l’âne

(Português)

 

Expressão francesa (formada de um provérbio antigo: "C'est bien sauté du coq a l'asne") que se aplica num contexto de desencontro premeditado de ideias, para obter um efeito de absurdo ou de incomunicação. J. Cohen, em A Estrutura da Linguagem Poética (1973, 2ªed., Dom Quixote, Lisboa, 1976, p.175), refere que o termo se aplica à “passagem de uma ideia à outra, sem qualquer relação com a primeira”, o que é válido para todo o tipo de discurso, inclusive para analisar dois enunciados incoerentes como: “Chove.” E “Dois e dois são quatro.”, porém é próprio de certas formas de literatura do absurdo e de vanguarda explorar o efeito de choque que dois discursos sequenciais podem produzir se não tiverem correspondência semântica entre si. Por exemplo: “LE PROFESSEUR: — Comment dites-vous Italie, en français? L’ÉLÈVE: — J’ai mal aux dents!” (Ionesco, La Leçon, 1951). O artifício do coq-à-l’âne exige instaurar uma relação de absurdidade entre dois enunciados, rompendo o fio do discurso. Também se utilizam jogos de palavras e trocadilhos para o produzir. Num monólogo, combina-se com o que Cohen chama inconsequência, ou seja, aquele “tipo de desvio que consiste em coordenar duas ideias que não têm, aparentemente, relação lógica entre si.” (ibid.,  p.180). O fenómeno é particularmente visível a partir da poesia romântica até às literaturas de vanguarda do século XX. É também utilizado em situações de comédia de situação, como As Lições do Tonecas, cujos diálogos são feitos à base de efeitos de inconsequências discursivas e semânticas.

Constituição
(História)

 

Conjunto de leis fundamentais que determinam o regime político, a organização dos poderes de soberania e determina os direitos e liberdades dos cidadãos.

Contexto
(Português)

 

Termo linguístico que designa tanto as palavras que per­tencem a um determinado enunciado como a realidade a que as palavras se referem (contexto extra-verbal). Na análise de um texto literário, o contexto diz respeito á realidade sócio-histórico-cultural em que a acção se insere (cf. Tempo Histórico).

Conto
(Português)

 

 

Narrativa pouco extensa e concisa. Detentora de unidade dramática, a sua acção concentra-se num único ponto de interesse. De acordo com J. P. Coelho, na segunda metade do século XIX, o conto começa a definir-se como "um episódio vivido, relatando um caso singular onde o autor interveio ou de que teve conhecimento e concebido literariamente como um romance curto ou prefiguração de um romance eventual" e será, segundo este autor, "este critério de limitação de tamanho e conformidade com o real" que vai fazer do conto um género literário mais fácil.

 

Género narrativo em prosa caracterizado por uma extensão reduzida, poucas personagens e concentração espácio-temporal. A acção a linear, circunscrevendo-se a um conflito, a um episódio ou a um acontecimento insólito, por vezes aparentemente insignificante.

 

Conto Popular
(Português)

 

 

Conto de autor anónimo que faz parte da literatura tradicional de transmissão oral, circulando de geração em geração.

Contracção Demográfica
(História)

 

Fenómeno de paragem no crescimento demográfico, ou mesmo de recuo, num país, numa região ou numa época, devido ao aumento da taxa de mortalidade e à quebra da taxa de natalidade.

Contratação Colectiva
(História)

 

Acordo estabelecido entre patrões e trabalhadores de uma determinado sector profissional, no qual se definem as condições do trabalho, sua duração, salários, direitos e obrigações mútuas, etc.

Controlo
(Português)

 

Forma já aportuguesada, em vez do galicismo "controle"/ "controle.

Conversão da Voz Activa para a Voz Passiva
(Português)

 

 

Na Voz Passiva a forma verbal é conjugada com o auxiliar Ser, no tempo e modo em que se encontrava o verbo principal na activa (e passa a concordar com o sujeito da passiva), e o particípio passado do verbo da activa. Este particípio concorda em género e número com o sujeito da passiva. Voz Activa: O João comeu a maçã. Voz Passiva: A maçã foi comida pelo João. Normalmente apenas os verbos transitivos directos admitem a construção na voz passiva. Para além desta transformação verbal, verifica-se o seguinte: o sujeito da Voz Activa passa a desempenhar a função de Agente da Passiva, regido da preposição por; V. A. a O João comeu a maçã V.P. a A maçã foi comida pelo João o Complemento Directo da Voz Activa passa a desempenhar a função de Sujeito da Passiva; V. A. a O João comeu a maçã V. P. a A maçã foi comida pelo João

Cookie
(Informática)

 

Um pequeno ficheiro de texto guardado no disco rígido do seu computador que contém informação sobre o modo como usa um determinado site web.

Copla ou cobra
(Português)

 

Na métrica peninsular, termo usado para designar um dístico, uma estrofe ou uma estância. A copla ou cobla também assim designada, foi muito cultivada desde a Antiguidade e Idade Média tendo as suas raízes nas composições líricas destinadas às festas do povo. No entanto, no séc. XVII,  D. Francisco Manuel de Melo compôs em português e em espanhol coplas de temática amorosa. Com o declíneo da influência castelhana na literatura portuguesa, a palavra foi pouco a pouco desaparecendo do vocabulário dos poetas.

O esquema rimático a que obedecem as coplas é variado dando origem a vários tipos: coplas uníssonas que obrigavam a manter a mesma série de rimas em todas as estrofes (ABBAA). Esquema este considerado o mais perfeito, e por isso o encontramos sobretudo em poetas como Afonso X, Pedro Garcia Burgalês,  Joam de Lobeira ou D. Dinis, (v. Dom Dinis, B 520/V 123).

No entanto, o mais utilizado, na poesia dos Cancioneiros é o esquema de coplas singulares em que as rimas mudam de estrofe para estrofe embora dentro da mesma fórmula rimática (a b a b b a b a; c d c d d c d c; e f e f f e f e), (v. Martim Soares,  B 172). Perante a dificuldade do primeiro sistema e a facilidade do segundo, os poetas trovadores escolheram por vezes o esquema  de coplas doblas, ou limitaram-se a manter uma das rimas ao longo de todas as estrofes. A união entre as estrofes podia fazer-se entre o fim de uma estrofe e o início da seguinte. Assim, quando o primeiro verso de uma estrofe retoma a rima do último verso da estrofe anterior estamos perante um esquema de coplas capcaudadas (ABABCCB; BAABEEB; BAABCCB), (v. Osoir’Anes, B [39 bis]); mas se o primeiro verso retoma uma palavra do último verso da estrofe precedente designamos por coplas capfinidas,  (v. Pero da Ponte, B 1642/V 1176). Se se constatar a repetição no início do mesmo verso  de estrofes sucessivas, a mesma palavra ou grupo de palavras , o esquema seguido é designado por coplas capdenales, (v. Joam Airas de Santiago, B 957/V 544).

Corregedores
(História)

 

Magistrados que dirigiam as comarcas como representantes da autoridade real, com grandes poderes judiciais.

Corrente de Humboldt
(Geografia)

 

Corrente marítima fria que se desloca da Antárctida para Norte, afectando a costa latino-americana.

Cortes
(História)

 

 

Assembleia política constituída inicialmente por representantes do clero e da nobreza e, depois, também por representantes do terceiro estado, para apresentar ao rei reclamações ou pretensões colectivas ou ainda com funções consultivas para o rei.

Código de Barras
(Ciências Económico-Sociais)

 

Codificação de produtos, única e normalizada, traduzível em símbolos capazes de serem lidos por meios ópticos.

Crash
(Inglês)

 

 

The Crash of 1929 also known as The Great Crash or the Wall Street Crash, the collapse of the New York Stock Exchange that marked the end of the prosperity of the 1920s and the beginning of a severe world Depression. The Depression was easiest to see in towns, with their silent factories and closed shops. But it brought ruin and despair to the farmlands also. By the end of 1931 nearly eight million Americans were out of work.

Cretácico
(Biologia / Geologia)

 

Período da era secundária ou mesosóico compreendido entre os 141 e os 65 milhões de anos

Crise Económica
(História)

 

Fase da evolução económica de um país ou época, em que há uma baixa na produção agrícola e industrial, bem como uma diminuição da actividade comercial.

Cronónimos
(Português)

 

Nomes de eras, épocas e séculos (ex.: Idade Média, Século das Luzes,...)

Cross-selling
(Ciências Económico-Sociais)

 

 

Prática que visa aproveitar as sinergias entre os produtos. Colocam-se produtos complementares na mesma prateleira do supermercado (por exemplo alface e tomate). O conceito estendeu-se aos serviços, nomeadamente aos bancos que, efectuando empréstimos para habitação vendem também seguros para a casa. Os hipermercados que têm cartão de cliente podem cruzar a informação que dispõe sobre as aquisições efectuadas e fazer apelos à compra de produtos complementares

Cultismo
(Português)

 

 

Uma das características formais do estilo barroco. Servindo-se de três artifícios: jogo de palavras, jogo de imagens, jogo de construções, o cultismo consiste no burilado excessivo da forma com o uso exagerado de trocadilhos, aliterações, homonímia, sinonímia, acumulações de epítetos, perífrases, extravagância de vocábulos, etc. Sob roupagens exageradas esconde-se uma temática estéril e banal. Também se denomina este estilo de Gongorismo, designação proveniente do escritor espanhol Luís de Gôngora. (cf. Barroco).

Culto da forma e sobreposição de ornamentos; complexidade formal e rebuscamento literário, com sacrifício da clareza do conteúdo; riqueza vocabular e alusão ao uso exagerado das metáforas, das hipérboles e das antíteses e paradoxos, mas também das perífrases, das hipálages, das sinédoques, das anáforas, dos trocadilhos, dos hipérbatos; abuso de jogos de palavras, de imagens e de construções.

Culto
(História)

 

Diversas formas de manifestação de respeito e homenagem a divindades que se julgam superiores ao Homem, através da adoração ou rituais variados, ou ainda também o culto aos mortos.

Culto da Personalidade
(História)

 

Adulação, às vezes levada a uma quase adoração fanática, da pessoa de um governante.

Culturas Orientais
(História)

 

 

Designação dada às múltiplas e complexas civilizações do Oriente (Ásia), em especial as civilizações hindu, chinesa e japonesa que tinham já uma história milenar e um notável desenvolvimento técnico quando da chegada dos navegadores portugueses.

Cultura de Empresa
(Ciências Económico-Sociais)

 

Conjunto de comportamentos, padrões, ideias e valores de uma empresa, que a identificam e que a distinguem das demais. É o "cimento" responsável pelo desenvolvimento de um sentido de unidade e participação colectiva.

Cultura Monástica
(História)

 

Cultura produzida nos mosteiros.

Coreografia
(Português)
(Educação Física)

 

 

Termo vindo do teatro grego que designava a arte de dirigir os coros, utilizada depois no começo do século XVIII , para designar a arte de compor as danças e de regular as figuras e os passos. Hoje em dia utiliza-se este termo para designar a encenação do teatro gestual e mesmo do ballet.

 

Curie
(Francês)

 

 

Pierre Curie (1859-1906) et Marie Curie (1867-1934) sont des physiciens français. En 1898, ils découvrent le radium, corps radioactif très puissant. En 1903, ils reçoivent le prix Nobel de physique pour leurs travaux. En 1991, Marie Curie reçoit le prix Nobel de chimie.

 

 

 

 

Índice

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

 

D

Dadaísmo
(História)

 

Movimento artístico que surgiu em Zurique, em 1916, sendo um estilo entre o infantil e o burlesco.

Dáctilo
(Português)

 

Substantivo masculino; GRAMÁTICA: pé de verso grego ou latino formado de uma sílaba longa seguida de duas breves; (Do gr. dáktylos, «dedo», pelo lat. dactilu-, «id.»)

Dativo
(Português)

 

Adjectivo; dado ou nomeado pelo juiz e não por lei; Substantivo masculino; GRAMÁTICA: caso dos nomes, nas línguas em que eles se declinam, com que se exprime o complemento indirecto; (Do lat. datívu-, «que é dado»)

Dados
(Ciências Económico-Sociais)

 

Factos em bruto, que não são necessariamente relevantes para qualquer coisa que alguém queira saber.

Daltonismo
(Ciências Físico-Químicas)

 

Defeito visual caracterizado pela falta de percepção de certas cores, em especial do vermelho. O daltonismo é quase sempre congénito, podendo, por vezes, ser adquirido por intoxicações.

Danças macabras
(História)

 

Danças que se representava a morte, arrastando pessoas de todas as idades e condição social.

Darwinism
(Inglês)

 

 

The scientific idea that plant and animal forms change over long periods of time because of the working of natural selection (the idea that only those most suited to their conditions live, while the others die). Darwin (1809-82) argued for a natural, not divine, origin of species. In the competitive struggle for existence, creatures possessing advantageous mutations would be favoured, eventually evolving into new species.

Data Mart
(Informática)

 

 

Componentes típicos de um ambiente de data warehouse que consistem em fracções de dados sobre uma determinada área. Cada data mart serve uma comunidade especifica de utilizadores com requisitos de informação comuns. Contem informação técnica e de negócio de uma área especifica da organização.

Data Mining
(Geografia)

 

Processo de análise profunda e exaustiva dos dados, no sentido de se deduzirem automaticamente alguns modelos e "regras" a aprtir da anaálise de vastos volumes de dados.

Data Warehouse
(Informática)

 

 

Repositório de dados provenientes de varias fontes, especificamente construído e estruturado de forma a permitir que os dados operacionais sejam retirados do seu contexto e, após um processo de transformação, integração e análise, seja possível a produção de informação útil aos processos de tomada de decisão, melhorando a eficácia na gestão do negócio. O coração de um data warehouse é uma base de dados de elevado desempenho.

Dativo
(Português)

 

 

Adjectivo; dado ou nomeado pelo juiz e não por lei; Substantivo masculino; GRAMÁTICA: caso dos nomes, nas línguas em que eles se declinam, com que se exprime o complemento indirecto; (Do lat. datívu-, «que é dado»)

Dáctilo
(Português)

 

Substantivo masculino; GRAMÁTICA: pé de verso grego ou latino formado de uma sílaba longa seguida de duas breves; (Do gr. dáktylos, «dedo», pelo lat. dactilu-, «id.»)

Definido
(Português)

 

 

Adjectivo; assente, fixo, determinado; exacto, preciso; de contorno nítido; sobre que recaiu definição; GRAMÁTICA: diz-se do artigo que se junta a um substantivo, individualizando a sua referência a uma pessoa, animal, coisa, acção, qualidade ou estado; pl. BOTÂNICA: diz-se dos estames que, numa flor, não são em número superior a dez, ou dos órgãos que normalmente são em quantidade fixa; Substantivo masculino; o que se definiu; a coisa definida; (Do lat. definítu-, «id.», part. pass. de definíre, «limitar; delimitar»)

Deflação
(História)

 

 

Conjuntura económica, em geral correspondente a uma época de crise ou depressão, que se caracteriza por uma baixa de preços, redução dos meios de pagamento, restrições do crédito, fraca produção e baixo consumo. Por vezes a deflação é estimulada pelos governos como forma de luta contra a inflação.

Deícticos
(Português)

 

 

Palavras que remetem para a situação (locutor, alocutário, circunstâncias) ou para palavras expressas no contexto. Elementos que estabelecem a relação entre o texto e o contexto da sua produção, e que têm como referentes os intervenientes, o espaço e tempo. Os elementos deícticos e os elementos em emprego deíctico são aqueles que marcam a deixis. Segundo Olívia Maria Figueiredo e Eunice Barbieri de Figueiredo, a deixis "é uma das formas de conferir o seu referente a uma sequência linguística, situando um enunciado no espaço e/ou no tempo em relação ao enunciador. É uma forma de designar o tipo de relação referencial que se estabelece entre uma expressão linguística (dita deíctica) e um elemento da situação de enunciação. O modelo deste tipo de referência é o signo eu, que designa, no enunciado, a pessoa que diz "eu"." Por exemplo, na frase Eu acho que vou à praia. E tu", o "eu" e o "tu" designem as pessoas da interacção. Distinguem-se algumas espécies de deícticos: pessoais, espaciais, temporais. Do grego deixis “mostração”, são os deícticos que situam a referência no tempo e no espaço, conferindo ao texto coerência externa.

 

Delta
(Geografia)

 

 

Foz de um curso de água formada por vários braços onde se acumulam aluviões. As águas do rio abrem caminho através da planície de aluvião, dividindo a corrente em dois ou mais ramos, constituindo a forma característica da letra grega conhecida por delta.

Deltas
(Biologia / Geologia)

 

Foz de um rio, ramificada em forma de leque, devido à existência na mesma de um depósito sedimentar formado pelos materiais transportados.

Democracia
(História)

 

Regime político no qual o povo é soberano em matéria de legislação e usufrui de iguais possibilidades de participação no governo e de igual tratamento perante a lei.

Democracias Cristãs
(História)

 

 

Corrente política do século XIX após a publicação da encíclica Rerum Novarum que actualizou o pensamento político da Igreja, aceitando o regime liberal em conciliação com os princípios do Catolicismo.

Democracia Parlamentar
(História)

 

Sistema político em que o principal órgão de soberania é o Parlamento (formado através de eleições), sendo o Governo responsável politicamente perante aquele.

Democracia Popular
(História)

 

Designa o regime socialista-marxista, associado à URSS, através do Pacto de Varsóvia e do COMECON.

Democratização
(História)

 

Acção de democratizar, isto é, de tornar democráticas todas ou certas instituições políticas, sociais e económicas, estendendo os seus poderes ou os seus benefícios a todo o povo.

Demografia
(História)

 

 

Ciência que estuda a população ou as populações, desde as taxas de natalidade e de mortalidade, nupcialidade, classes etárias, esperança de vida, etc.

Demonstração
(Filosofia)

 

 

Argumento dedutivamente válido que parte de premissas verdadeiras que conduzem necessariamente à conclusão.

Demonstração de Resultados
(Ciências Económico-Sociais)

 

Um quadro (mapa, gráfico, etc) onde é demonstrado o resultado do exercício. São colocados em evidência os proveitos e os custos. A Demonstração de Resultados por naturezas é obrigatória para todas as empresas e agrega custos e proveitos classificados por natureza. Na Demonstração de Resultados por funções os custos e proveitos aparecem repartidos de forma funcional.

Demonstrativo
(Português)

 

 

Adjectivo; que demonstra; que serve para demonstrar; convincente; GRAMÁTICA: diz-se do determinante ou pronome que situa uma pessoa, animal ou objecto em referência ao locutor; (Do lat. demonstratívu-, «id.»)

Demos
(História)

 

Divisões ou circunscrições que abarcavam toda a população da península da Ática.

Denotação

(Português)

 

O significado primeiro e objectivo de um vocábulo, direc­tamente derivado da relação entre as palavras e as coisas, ou seja, entre o signo linguístico e o seu referente.

Desamortização (leis de)
(História)

 

Leis que impedem que os bens se tornem de "mão-morta", isto é, que os sujeitam a leis comuns para poderem ser comprados e vendidos.

Desbravamento
(História)

 

Arroteamento; trabalhos de preparação de terreno para cultura.

Desbravar
(História)

 

Preparar o terreno para cultura.

Descarregar (para o próprio computador)
(Informática)

 

Transferir um ficheiro de um computador remoto para o próprio computador, usando um qualquer protocolo de comunicação. Descarregar (para outro computador), significa transferir um ficheiro de um computador local para um computador remoto, usando um qualquer protocolo de comunicação.

Descentralização
(Ciências Económico-Sociais)

 

Tomada de decisões que se desloca do centro de uma organização para as periferias. A descentralização é consequência inevitável da economia da informação, em que as comunicações e o poder de processamento são baratos, o tempo escasseia e as empresas cobrem todo o globo.

Descolonização
(História)

 

Termo que exprime a independência ou autodeterminação reconhecida pelas potências colonizadoras às suas colónias.

Descrição

(Português)

 

Fragmento discursivo portador de informação sobre as per­sonagens, os objectos, os lugares, o tempo, facilmente destacável do conjunto textual. Essencialmente estático, constitui momento de pausa na progressão linear dos eventos e, quando suprimido, não compromete a coerência interna da história. A acção sofre um corte na sua dinâmica para se fixar num imobilismo não sujeito a uma ordenação cronológica.

A descrição implica frequentemente alterações ao nível do discurso:

  • a passagem do presente ao imperfeito;
  • o emprego frequente de verbos de estado; por vezes, a estruturação do espaço em torno de uma personagem ou vice-versa;
  • por vezes, a passagem de um primeiro piano a um piano de fundo ou vice-versa.

A descrição contribui para a delimitação de subgéneros da narrativa: no romance histórico e nas narrativas de descrição, assume particular relevo a descrição do tempo; no conto rústico, a descrição do espaço; no romance psicológico, a descrição da personagem.

Desenlace

(Português)

 

Definido por Aristóteles como o momento da tragédia em que o curso dos eventos se altera determinando o final feliz ou infeliz da acção.

Sendo a última fase da acção dramática, o D. ocorre após o clímax e a peripeteia. Trata-se da fase descendente da acção, em que se assiste às consequências resultantes dos acontecimentos entretanto ocorridos.

            Consoante se trate de uma tragédia ou de uma comédia, variável é a configuração assumida pelo D. Assim, e no caso da tragédia, o D. ou desfecho adquire a forma de catástrofe, consubstanciada, na maioria dos casos, na morte do herói, que muitas vezes arrasta consigo a morte de outras personagens. Nalgumas tragédias, a catástrofe inclui ainda aquilo que Aristóteles designou como anagnorisis (reconhecimento). É o momento em que ao herói são reveladas algumas verdades (sobre si próprio ou sobre outrem), num rasgo de iluminação que precede a assomo da morte. Esta e o exílio constituem, na visão trágica, as mais recorrentes formas de exorcizar o desconcerto do mundo, viabilizando a emergência de uma nova ordem social, só exequível através do aniquilamento do herói.

            No caso da comédia, a peripeteia ou mudança do rumo dos acontecimentos encaminha-os para uma resolução festiva. Esta adquire, por via de regra, a forma de um ou mais casamentos, além da reconciliação entre as personagens, que finalmente resolvem os conflitos geradores da desordem, reintegrando-se numa sociedade que assim se consagra vitoriosa, pela reposição da harmonia e do equilíbrio entre os seus membros.

Também é possível falar de desenlace num romance de intriga, por exemplo, mas neste caso é mais correcto falar-se de desfecho, de que desenlace é sinónimo.

 

Desenvolvimento Sustentável
(Geografia)

 

Desenvolvimento que tem como objectivo a satisfação das necessidades presentes sem pôr em causa a satisfação das necessidades da geração futura.

Desertificação
(Geografia)

 

Evolução bioclimática tendendo a transforma uma região em deserto

Deslocalização
(Ciências Económico-Sociais)

 

Processo de transferência de uma unidade produtiva para outro local, visando uma redução de custos através de salários mais baixos, legislação mais favorável, etc.

Desvalorização da Moeda
(História)

 

O processo directo consiste na recolha de todas as moedas e as derreter e cunhar de novo, diminuindo-lhes o peso, mas mantendo-lhes o mesmo valor facial. O processo indirecto ocorre quando se verifica uma inflação dos preços.

Detergente
(Ciências Físico-Químicas)

 

 

Substância (agente tensioactivo) que, em solução, tem uma acção de “limpeza”. A sua molécula é geralmente constituída por uma parte hidrofílica e outra hidrofóbica podendo, por isso, interagir tanto com a água como com solventes orgânicos, formando emulsões.

Deuses olímpicos
(História)

 

Os deuses que moravam no Olimpo.

Deutério
(Biologia / Geologia)

 

Isótopo do hidrogénio com número de massa igual a 2

Diacrítico

(Português)

 

Diz-se dos sinais gráficos que permitem a identificação do valor especial de um carácter alfabético, por exemplo, a cedilha que distingue o /c/ do /ç/. Nas teorias estruturalistas, defende-se que a língua é um sistema diacrítico, isto é, um sistema constituído por diferenças significantes.

Diacronia

(Português)

 

Sucessão no tempo. Esta noção aplica-se, por exemplo, ao estudo da evolução da língua e ao da evolução dos fenómenos literários.

Diáfora

(Português)

 

Figura de retórica que consiste na repetição de uma mesma palavra num mesmo enunciado, mas com sentido diferente. Nos conhecidos versos de Luís de Camões: “Os vossos, mores cousas atentando, / Novos mundos ao mundo irão mostrando” (Os Lusíadas, II, 45), a diáfora (mundos ... mundo) traduz apenas um jogo semântico (novos mundos=novas terras; ao mundo=a toda a humanidade) que pretende enriquecer o sentido geral da imagem universalista da gesta portuguesa de Quinhentos. A diáfora distingue-se do pleonasmo, pois a redundância é necessária no contexto da diáfora. Esta figura é sinónima da antanáclase e utiliza-se sobretudo em contextos que exijam dar ênfase a uma ideia de forma progressiva. Cf. Antanáclase.

Dialéctica
(História)

 

Arte de argumentar ou discutir.

Diálogo 

(Português)

 

Forma de discurso e modo de expressão literário em que o "emissor" e o "receptor" se alternam na comunicação das respectivas mensagens. Surge nos textos narrativos, nos dramáticos e, por vezes, nos líricos. Encontra-se estreitamente relacionado com o discurso da personagem e com o conceito de cena. A reprodução fiel do diálogo entre as personagens (estratégia de representação próxima da repre­sentação dramática) implica a utilização do discurso directo — tenta­tiva de aproximação máxima, no piano do discurso, da duração dos acontecimentos narrados — e o apagamento do narrador que dá a palavra ás personagens, embora lhe caiba ainda o papel de organiza­dor da narrativa; é o narrador quem decide da sua instauração ou interrupção em função da economia da narrativa. O discurso directo apresenta registos de língua diversificados (traços idiolectais, socio­lectais e dialectais) que contribuem para a caracterização da personagem que o profere.

Diáspora
(História)

 

 

Movimento de dispersão que levou milhares de portugueses, desde os séculos XV e XVI, a fixarem-se nas mais diversas e remotas paragens do Mundo, quer inseridos na colonização do Império, quer movidos por razões meramente individuais.

Diáspora (judaica)
(História)

 

Dispersão dos Judeus, no decorrer dos séculos.

Didascália  

(Português)

 

Texto secundário constituído peias informações fornecidas peso dramaturgo (autor) sobre, por exemplo, o tempo e o lugar da acção (cenário), o vestuário, os gestos das personagens, etc. Cabe ao encenador e aos actores, ao definirem a representação, a actualiza­ção das indicações cénicas.

Diegese   

(Português)

 

Termo utilizado por Genette para designar a história e o uni­verso espácio-temporal em que ela se desenrola.

Digressão    

(Português)

 

Desvio em relação ao assunto que está a ser desenvolvido: a narrativa é interrompida e o narrador formula comentários, obser­vações ou opiniões que se afastam temporariamente dos eventos relatados.

Diferenciação
(Ciências Económico-Sociais)

 

Identificação clara de um produto ou serviço face à concorrência

Diferenciação Social
(História)

 

Divisão das sociedades humanas em grupos que se distinguem pela riqueza e pelas funções que exercem, pela situação de domínio ou de dependência de uns em relação aos outros.

Dignidades
(História)

 

Cargos.

Dinastia
(História)

 

Série de reis da mesma família.

Dinolfagelados
(Biologia / Geologia)

 

Algas unicelulares flageladas da divisão Pyrrophyta.

Direct mail (correio directo)
(Ciências Económico-Sociais)

 

Sistema interactivo de comunição entre produtor e cliente, através do correio, e que pode ter vários objectivos tais como a realização de inquéritos, testes de mercado, prospecção, propaganda, publicidade e até a própria venda.

Direito
(História)

 

Conjunto de leis que regulam as relações entre os indivíduos de uma sociedade e entre os indivíduos e o Estado.

Direito de Veto
(História)

 

Acto pelo qual um indivíduo ou um órgão põe obstáculo temporário ou definitivamente à aplicação das decisões de outro indivíduo ou de outro órgão.

Discurso Indirecto Livre

(Português)

 

Expressão que designa o discurso semi­directo em que o emissor, para dar major vivacidade à sua comunica­ção, suprime geralmente o verbo e o conector próprios do discurso indirecto, misturando assim a voz do narrador com a da personagem em causa, como se ambos falassem em uníssono. É uma espécie de voz dual em que se preserva, até certo ponto, a expressividade do dis­curso directo (observe-se, por exemplo, que nele se conservam sem modificação os deícticos espaciais e temporais do discurso directo).

Ex.: "O poeta sorria, passando os dedos com complacência pelos longos bigodes românticos que a idade embranquecera e o cigarro ama­relara. Que diabo, algumas compensações havia de ter a velhice! Em todo o caso o estômago não era mau, e conservava-se, caramba, filhos, um bocado de coração" (Eça de Queirós).

Disfemismo

(Português)

 

Modo de expressar uma realidade desagradável de uma forma ainda mais rude e agressiva.

Ex.: "[...]enquanto os vermes jam roendo esses cadáveres amarrados pelos grilhões da morte"(Alexandre Herculano).

Dissacarídeo
(Ciências Físico-Químicas)

 

Hidrato de carbono constituído por dois monossacarídeos ligados entre si.

Dissertação

(Português)

 

Discurso de carácter argumentativo em que o seu autor examina, desenvolve e defende um ponto de vista ou tese sobre determinada matéria (cf. Texto Argumentativo).

Dissociação  

(Português)

 

1.   Figura de retórica que traduz uma dissolução do sentido entre duas ideias ou frases. Trata-se um de uma figura mais radical em termos de ruptura semântica do que outras figuras semelhantes como o adynaton, o equívoco, a silepse ou a anfibologia. No poema “Manucure” (1915), Mário de Sá-Carneiro ensaiou futuristicamente diferentes formas de dissociação (verbal e gráfica).

2.  T. S. Eliot popularizou a expressão “dissociação das sensações” (dissociation of sensibility) para traduzir a separação do pensamento em relação aos sentimentos. No ensaio “Th